Frente-5G: Hungria recusa-se a aderir à coligação anti-China

por LMn

Apesar do pedido dos Estados Unidos, o governo húngaro não se juntará a uma frente internacional 5G contra a China.

A pressão de Washington e da Embaixada dos Estados Unidos em Budapeste, mesmo através  dos mídia húngaros, a Hungria está prestes a ficar fora da batalha contra a China.

Depois de perguntar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (KKM) e à Embaixada dos EUA em Budapeste sobre o chamado Programa de Rede Limpa 5G, o Index levanta a questão que apesar que as relações húngaro-americanas, durante a era Trump se tenham aparentemente resolvido, um conflito entre os dois países era previsível muito antes da eleição de Joe Biden.

A guerra fria entre Washington e Pequim

O governo americano acredita que, se as empresas chinesas de telecomunicações participarem da construção da infraestrutura 5G, todo o sistema de comunicação do mundo ocidental ficará comprometido.

Washington lançou em agosto a sua campanha internacional Clean Network, que garantiria a segurança das redes 5G mesmo para além das fronteiras dos EUA. Ao falar a favor do programa, Mike Pompeo, secretário de Estado de Trump, usou argumentos contra o governo chinês e a gigante das telecomunicações Huawei.

De acordo com os EUA, empresas multinacionais chinesas como a Huawei teem acesso  ao fluxo de informações na rede por meio de suas ferramentas 5G e depois entregam-nas ao governo em Pequim.

Parece claro que o Programa 5G Clean Network se tornou uma das linhas de frente da guerra fria entre Washington e Pequim e vai muito além da questão da segurança da infraestrutura de telecomunicações.

Os interesses estratégicos também dependem do sucesso do programa americano: se os EUA e seus aliados saírem do mercado, não só as empresas ocidentais terão perdas financeiras consideráveis, como também cairão na corrida da tecnologia – o que pode mudar o jogo do grande xadrez geopolítico.

Hungria não aderiu. 

Até agora, 40-50 países e grandes empresas de telecomunicações aderiram ao Programa 5G Clean Network, incluindo 27 estados membros da NATO e empresas líderes de mercado. Todos eles rejeitam ferramentas adequadas para coleta de informações usadas pelo Partido Comunista Chinês – explicou a Embaixada dos Estados Unidos ao Index.hu.

Mas o governo húngaro decidiu ficar de fora, embora a embaixada tente fazer valer os interesses dos EUA mesmo por meio de uma ofensiva na comunicação social. Conteúdos de apoio ao Programa 5G Clean Network apareceram na página Facebook ‘Nyugati pályán’ e no site de notícias ‘Szabad Európa’; ambos financiados por Washington.

A Embaixada também colocou anúncios pagos sobre os perigos do Partido Comunista Chinês nos sites mfor.hu e Válasz Online. Em abril passado, um diplomata americano também deixou claro, num evento privado na Universidade Húngara de Serviço Público (NKE), que Washington está atenta as ações das empresas 5G chinesas, e aliados que vão contra os interesses americanos podem mesmo esperar sanções.

Hungria destaca-se no mapa

Em outubro numa conferência de imprensa, Mike Pompeo, quando apresentou os resultados alcançados pelo Programa deixou uma mensagem inequívoca ao governo húngaro. O Ministério das Relações Exteriores de Washington publicou os gráficos que foram mostrados na apresentação representando os estados europeus que aderiram ao programa. A Hungria – como uma ilha – se destaca por ser branca.

Por outro lado, segundo Péter Szijjártó, as relações entre China e Hungria florescem, tendo listado vários interesses económicos concretos, por exemplo, que nos últimos dez anos, investimentos chineses atingiram os 5 mil milhões de dólares e as empresas de capital chinês empregam 15 mil húngaros. Além disso, a Huawei abriu outro escritório na Hungria há pouco menos de um mês.

Quando questionado sobre quaisquer outros possíveis interesses que influenciam a decisão dos governos, o KKM apenas disse: “A Hungria é um país aberto e oferece um ambiente justo para investidores estrangeiros cumpridores da lei. A decisão sobre a possibilidade de aderir à iniciativa Rede Limpa é feita exclusivamente com base nos interesses da Hungria. ”

Fonte: https://dailynewshungary.com/hungarian-foreign-ministry-refuses-to-join-the-anti-china-coalition/

Pode ler-se (em húngaro) artigo original

https://index.hu/kulfold/2020/11/16/5g-huawei-egyesultallamok-magyarorszag/

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