Fotografia portuguesa em Budapeste

por João Miguel Henriques

A fotografia portuguesa regressa à nossa cidade, depois de exposições nas edições de 2018 e 2019 do extraordinário Budapeste Photo Festival, no contexto das quais foi possível dar a conhecer ao público húngaro, com o apoio do Instituto Camões, a obra de nomes de tão fundamentais como Paulo Nozolino ou José Manuel Rodrigues, bem como de outros mais recentes mas já incontornáveis como Tiago Casanova, Paulo Catrica, João Grama e Tito Mouraz. Lembro-me de uma tarde memorável em que foi possível juntar à conversa, no espaço da Galeria Projekt, Paulo Nozolino e o realizador húngaro Béla Tárr.

Desta feita a fotografia portuguesa chega até nós numa exposição conjunta da portuguesa Maria do Mar Rêgo e da húngara Lilla Szász, intitulada „Do Amor” („A szerelemről / About Love”) e patente ao público entre os dias 4 de Novembro e 10 de Dezembro na Galeria 2B (Radáy u. 47), com curadoria de Judit Gellért. Sem que ainda conheçamos as obras expostas, sabemos tratar-se de um conjunto de trabalhos sobre a intimidade e as relações amorosas, centrando-se Maria do Mar Rêgo na sua relação de quase quatro anos e retratando Lilla Szász histórias de amor de amigos seus, que a sua lente acompanhou ao longo dos anos entre 2009 e 2018.

A fotógrafa húngara Lilla Szász tem já há muito materializado o seu particular interesse por Portugal e a cultura portuguesa em interessantes projectos artísticos, procurando à sua maneira reflectir sobre alguns tópicos centrais da história portuguesa do século XX. No início deste ano, por exemplo, já a Galeria Municipal de Budapeste acolhera a sua exposição „Greetings from my new home”, reunindo um conjunto de materiais de arquivo recolhidos pela fotógrafa a propósito da história dos retornados, esses quase 800.000 portugueses que tiveram de ser realojados na sequência da independência das colónias portuguesas em África, em 1975. Lilla Szász começara a trabalhar neste tema aquando da sua residência artística em Lisboa, no âmbito do programa de intercâmbio de artistas organizado pelas galerias municipais de Lisboa e Budapeste, uma louvável iniciativa já com largos anos e que em 2018 o Instituto Camões decidiu devidamente assinalar organizando a exposição colectiva „À beira Tejo / A Tejo partján”, reunindo onze artistas húngaros que haviam até à data participado nesse programa de intercâmbio.

Fica o lamento de esta exposição de Maria do Mar Rêgo e Lilla Szász agora em Novembro não poder ser inaugurada com a pompa merecida, mas ao mesmo tempo é reconfortante saber que apesar tudo continuam a desenvolver-se colaborações artísticas, projectos comuns, iniciativas como esta que continuarão a aproximar as artes e artistas de Portugal e Hungria.

Fica a sugestão.

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