Festas Nicolinas: Os bombos de Guimarães querem rufar lá fora

por Arnaldo Rivotti

Razões para falar de Património há muitas. Eliseu Sampaio, diretor do grupo Mais Guimarães, assinala uma: “não há, em Portugal, manifestação académica tão rica nem tão antiga”. A origem das Nicolinas é incerta, mas afirmou-se como referência no ano de 1664, data que começou a ser construída a Capela de São Nicolau, patrono dos estudantes e protetor dos pobres e desprotegidos.

As Festas de São Nicolau, festas escolásticas Vimaranenses que datam pelo menos, do séc XVII, têm raízes no culto deste santo padroeiro dos Estudantes.

Tradições académicas das mais antigas do país, a par das Coimbrãs, possuem características únicas realçando-se a participação dos Velhos junto dos Novos, o que permite reunir todos os anos entre 29 de novembro e 6 de dezembro em Guimarães, gerações e gerações de Nicolinos.

As Festas Nicolinas marcadas pelos usos e os costumes populares da região, pela influência do Classicismo e do Romantismo e pela intervenção crítica no fenómeno social, são motivos de celebração e diversão com os folguedos próprios da juventude, quase sempre acompanhados por um característico som de fundo: o troar dos bombos e caixas executando os característicos Toques Nicolinos.

As Festas englobam vários números que constituem a sua matriz: as Novenas, as Ceias, o Pinheiro, as Posses, o Magusto, as Roubalheiras, o Pregão, as Maçãzinhas e as Danças.

As Novenas são celebrações religiosas em honra de Nossa Senhora da Conceição realizadas na Capelinha de Azurém às quais assistem os Estudantes que, tocando os tambores, foram chamando o povo a participar.

As Ceias

As Ceias servem para juntar à mesa os Nicolinos que seguem para o Pinheiro. O Pinheiro é erigido (ou “enterrado”) no fim de um cortejo, transportado em carros de bois, acompanhado pelos zabumbas, estudantes que percutem incessantemente os seus bombos e caixas, constituindo esse mastro anunciador, o prelúdio, a anunciação das Festas.

De pito para galo numa noite

De todos os festejos Nicolinos, o primeiro é sempre o mais participado. A antecipação reina em Guimarães. Quando o sol nasce, no dia 29 de novembro, o Pinheiro sente-se na cidade, como se as raízes da árvore estivessem a fazer pressão lá no fundo para a desprender do chão das ruas. Uma magia que a gente vimaranense conhece há alguns séculos. O Pinheiro é isso: uma questão de raízes, de orgulho.

As Posses

As Posses não são mais que ofertas que os Estudantes vão recolhendo por várias casas da cidade e que servem para alimentar o Magusto que realizam a seguir e que partilham com o povo.

As Roubalheiras

As Roubalheiras servem para fazer aparecer junto ao Pinheiro bens de todo o tipo que, por pirraça, foram desviados durante a noite.

O Pregão

O Pregão consiste na declamação de um texto satírico-retórico em verso que serve, principalmente, para exaltação de símbolos locais e nacionais, evocação dos clássicos, elogio das donzelas e feroz crítica social, e que é recitado pelo pregoeiro em vários pontos da cidade por onde se deslocam em préstito os Estudantes acompanhados, mais uma vez, pelos seus tambores.

As Maçãzinhas

As Maçãzinhas são, no fim de um cortejo de carros alegóricos, colocadas na ponta de uma lança enfeitada de fitas e oferecidas às donzelas que esperam nas sacadas e que retribuem com pequenas ofertas.

As Danças

As Danças são, no sentido lato, rábulas, pequenas representações e cantorias que servem de diversão e incisiva crítica de costumes e personalidades, levadas à cena numa sala de teatro, embora no passado se tenham realizado, também, na rua ou em casas particulares e servem de encerramento das Festas com o entoar do Hino Escolástico.

Nas décadas mais recentes tem-se realizado um Baile que reúne novos e velhos Nicolinos prolongando, de certa maneira, as Festas, num repasto convivial seguido de actuação musical.

 

Fontes:

https://nicolinas.pt/

Texto de Lino Moreira da Silva (adaptado)

A Alma e a Graça das Festas Nicolinas

 

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