Fernando Alexandre: “Energias renováveis são ventos favoráveis para a economia portuguesa”

por LMn

Economista Fernando Alexandre defende que Portugal precisa de ter ciência, indústria e serviços “para aproveitar esta este novo paradigma energético”, participando na cadeia de valor. “A fonte está toda cá. Temos uma combinação como poucos países têm para aproveitar tudo isto”, diz.

O economista Fernando Alexandre defende que as energias renováveis são um “vento favorável” para a economia portuguesa, mas avisa que o país precisa de uma indústria, que cria e produz tecnologia para aproveitar as fontes de energia, apontando como exemplo o caso do lítio.

“A área das energias renováveis é uma das mais importantes, porque é aquilo a que eu chamo um dos ventos favoráveis para a economia portuguesa”, disse Fernando Alexandre, coordenador do estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), “Do made in ao created in: um novo paradigma para a economia portuguesa”, em declarações ao Jornal Económico.

O economista, que é também vice-presidente do Conselho Económico Social, coordenou o estudo desenvolvido por uma equipa alargada de economistas e especialistas que se debruçaram sobre os obstáculos de desenvolvimento da economia portuguesa em sete áreas consideradas estratégicas: ambiente económico, sistema científico e tecnológico, qualificações e mercado de trabalho, PME inovadoras, território e infraestruturas, investimento direto estrangeiro e cadeias de valor globais e estratégia nacional para o mar.

“O facto de termos uma mudança da estrutura quer dizer que vai haver procura de novos bens e serviços e por isso são oportunidades de mercado para as empresas. Temos que criar as condições para que as empresas portuguesas aproveitem essas oportunidades e respondam a esses desafios. Que o façam a pensar globalmente, isto é, apresentando soluções serviços e bens produtos que não apenas satisfazer as necessidades dos portugueses, mas as necessidades globais mundiais”, assinala Fernando Alexandre sobre o impacto das energias renováveis para o futuro de Portugal.

Realça que Portugal é “ainda hoje um dos países mais dependente em termos energéticos”, pelo que salienta que a transição climática “é uma oportunidade”.

“A transição não é nada óbvia e os combustíveis fósseis vão continuar a ser importantes, mas o peso das renováveis vai aumentar e desta vez nós temos rios, vento, sol e mar. A fonte está toda cá. Temos uma combinação como poucos países têm para aproveitar tudo isto e aproveitar as energias renováveis”, vinca.

Contudo, adverte que é necessário ter também uma indústria que cria e produz tecnologia e serviços para aproveitar estas fontes. “Não podemos só comprar geradores de painéis, temos que participar. As baterias, por exemplo. No caso do lítio, se vamos explorar as minas, temos também que produzir baterias”, refere.

“Temos que conseguir ter ciência, indústria e serviços para aproveitar esta este novo paradigma energético onde pela primeira vez na história moderna nós teremos ou podemos ter uma vantagem competitiva”, vinca.

 

Por: Ânia Ataíde  jornaleconomico.pt

 

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