Ferencváros conquista o título húngaro em pleno clássico, num tetra que não vivia há 110 anos

por LMn

O maior campeão da Hungria reinou de novo nesta temporada. O Ferencváros conquistou seu 33° título no Campeonato Húngaro, num tetracampeonato consecutivo que não acontecia desde 1912. E o título dos alviverdes na atual campanha é indiscutível. A equipa apresenta uma vantagem de 13 pontos na liderança, faltando ainda mais quatro jogos para o fim da liga. O desfecho do torneio seria especial às Águias Verdes. A celebração aconteceu em pleno clássico contra o Újpest, com vitória por 2 a 1 em Budapeste.

O Ferencváros surgiu como uma das primeiras potências do Campeonato Húngaro, ao lado do MTK Budapeste. Os alviverdes foram a principal força do país na década de 1910 e também teriam períodos imponentes entre as décadas de 1920 e 1930.

O momento mais difícil do Ferencváros ocorreu a partir do título de 2004. Com dificuldades financeiras, os alviverdes tiveram uma passagem pela segunda divisão. O restabelecimento como uma potência ocorreria a partir da reconquista do título em 2015/16, após um hiato de 12 anos sem o troféu. E os alviverdes desde então voltaram a dominar o Campeonato Húngaro, como não ocorria desde a década de 1910. Após a quarta colocação em 2016/17 e do vice em 2017/18, a atual sequência de taças se iniciou em 2018/19.

O plantel atual do Ferencváros inclui 18 jogadores convocados às suas seleções no último ano. Representantes de 11 equipas nacionais diferentes fazem parte do grupo, incluindo cinco atletas da própria Hungria. Os irmãos marroquinos Ryan Mmaee e Samy Mmaee foram essenciais na atual campanha. Os africanos ainda são bem representados por Franck Boli (Costa do Marfim) e Aïssa Laïduni (Tunísia). As Águias Verdes também contam com uma importante legião de outros países do Leste Europeu, com menção a Myrto Uzuni (Albânia) e Robert Mak (Eslováquia). Da seleção local, Dénes Dibusz e Endre Botka são nomes frequentes. Além disso, o investimento em sul-americanos aumenta.

O Ferencváros também não costuma economizar nos seus treinadores. A ascensão atual começou com o alemão Thomas Doll. Em 2018, Sergiy Rebrov iniciou o tetracampeonato. Já nesta temporada, o ucraniano deu lugar ao austríaco Peter Stöger, que perdeu o emprego em dezembro, após a eliminação na fase de grupos da Liga Europa. Comandante da Rússia na Taça de 2018, Stanislav Cherchesov seria o escolhido nessa transição atual e foi responsável por assegurar tamanha vantagem no Campeonato Húngaro.

Eliminado na última fase preliminar da Champions pelo Young Boys e repescado para um grupo duro na Liga Europa, o Ferencváros não impressionou tanto no primeiro turno do Campeonato Húngaro. A equipa venceu 11 partidas nas primeiras 16 rondas, lutando pela liderança com Puskás Akadémia e Kisvárda. O salto aconteceu a partir da chegada de Cherchesov, quando o grupo se concentrou apenas na liga nacional. Perdeu a segunda partida com o russo, mas está invicto desde então, com sete vitórias nas últimas dez jornadas. Para ajudar, a concorrência começou a acumular tropeços e a diferença na tabela aumentou bastante.

O Ferencváros entrou em campo neste domingo com a chance de conquistar o título no dérbi contra o Újpesti, terceiro maior campeão da liga, mas que não leva o troféu desde 1998. Por mais que os rivais façam uma campanha de meio de tabela, eles abriram o placard com Budu Zivzivadze. A viragem das Águias Verdes saiu ainda no primeiro tempo, com golos de Tokmac Chol Nguen e Bálint Vécsei. Era a deixa para que os alviverdes comemorassem o tetra e reforçassem a superioridade na liga local.

Com o título, o Ferencváros entra na primeira fase qualificatória da Champions League. Precisará enfrentar duros desafios se quiser reaparecer na fase de grupos, o que aconteceu em 2020/21. Considerando a popularidade do clube e a relação com o poder, o investimento se mantém para que as Águias Verdes sirvam como uma bandeira da Hungria no cenário continental. Enquanto isso, a dinastia nacional pode resultar num penta que igualará a maior sequência do clube. Pela forma como a equipa sobrou nesta campanha e pela força do plantel, o favoritismo é óbvio para que esse poderio se preserve por mais tempo.

 

Fonte: https://trivela.com

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