Existência Deslumbrante – poemas da língua portuguesa em húngaro

por LMn

A partir de 30 de abril, todos os sábados, a coluna apresentará 1 poema português em edição bilingue – português e húngaro – selecionado pela tradutora Márta Lipp.

Uma das novidades desta coletânea é que inclui poemas que foram publicados em idioma húngaro pela primeira vez nos últimos 4-5 anos, na sua maioria por jovens poetas até então desconhecidos dos leitores húngaros. A série inclui uma seleção de 85 poemas publicados por 21 autores escritos em português, bem como novas traduções “em curso”, que aparecem pela primeira vez nesta coluna.

A série é também inovadora no sentido em que estes poemas nunca foram reunidos desta forma, e só estão disponíveis nesta coluna, que intitulámos “Existência Deslumbrante”.

A ideia do título foi retirada das reflexões dos leitores sobre poemas publicados em revistas online, onde os adjetivos “magnífico”, “sumptuoso”, “deslumbrante” eram um elemento recorrente. Isto refletiu não só a perceção do público húngaro da riqueza e variedade da poesia portuguesa recente, mas também a sua recetividade à qualidade das obras, que vai para além do estilo e conteúdo dos poemas e da sua atmosfera peculiar.

O outro fio condutor na escolha dos títulos e, ao mesmo tempo, nos critérios de seleção, é a mudança ocorrida na poesia portuguesa ao longo dos últimos 30 anos, marcada sobretudo pela conquista da imaginação. A dissolução e a não identificabilidade dos textos, do tempo, do espaço, das fronteiras entre o mundo interior e o mundo exterior, e a mudança do papel da tradição, que já não é em primeiro lugar ela própria, mas cada vez mais parte da construção da realidade poética, tornou possível libertar a “imaginação mais ousada”. Esta tendência é capaz de reunir poemas escritos na viragem do milénio e os escritos depois, apesar das diferentes tendências e da variedade de expressões (Márta Lipp: Tendências, sobreposições do Panorama Literário de Portugal. In Magyar napló Vol. 31 No. 12 (dezembro 2019))

O primeiro da série é o poema de Sophia de Mello Breyner Andresen Jardim Perdido, porque contém a ideia que percorre toda a compilação: a dualidade e a interação entre imaginação e realidade, que no caso dos poetas mais jovens também se manifesta como a dualidade da ilusão e da falta de ilusão.

*

Márta Lipp (1948. Balatonfőkajár) poetisa, tradutora literária, historiadora cultural. Trabalhou como investigadora académica no Instituto de Pesquisa Cultural e seus sucessores. Atua no domínio do Inquérito de Interesse, área a que se dedica também atualmente. Desde 2016 tem vindo a traduzir poemas de italiano e de língua portuguesa, nos últimos anos principalmente de jovens poetas. Vive em Budapeste.

Também poderá gostar de

O nosso website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Aceitar Ler Mais

Privacidade