Está a decorrer o processo de destruição sistemática do ensino de línguas estrangeiras na Hungria?

por LMn

Artigo de Palma Bruder/Daily News Hungary

Na Hungria os jardins de infância não podem fazer referência à educação em inglês nos seus nomes, apenas a idiomas de etnias existentes como p.ex o alemão. Além disso, têm de cancelar o ensino de inglês.

O governo, com uma nova decisão, está impossibilitar o funcionamento do ensino de línguas estrangeiras em creches, seja inglês, francês ou espanhol – os leitores entraram em contato com portal húngaro 24.hu.

Uma das creches que ensina inglês acaba de ser obrigada a retirar a palavra “English” de seu nome, referindo-se ao ensino da língua. Além disso, deve excluir a palavra mesmo do seu programa educacional.

Segundo a interpretação de um leitor o estabelecimento não pode mais destacar o atendimento especial que presta, ensino de língua estrangeira, nem no nome, nem na informação detalhada que distribui aos pais. O uso excepcional da língua tem sido o encanto deste jardim de infância específico, mas se não cumprir a nova regra, pode simplesmente despedir-se da licença de funcionamento.

Porém, não é um caso único; ao longo dos últimos dias, vários estabelecimentos receberam cartas com as mesmas informações dos seus responsáveis do ministério. Com base na no trabalho de investigação do 24.hu não houve qualquer problema com as creches com as línguas das etnias, nem com grandes jardins de infância internacionais; não receberam nenhum aviso semelhante. A notificação concentrou-se nos jardins de infância privados administrados por empresas húngaras.

A procura por estas instituições é grande no mercado, visto que muitos estrangeiros vivem ou trabalham na Hungria. Alguns deles trabalham para empresas multinacionais, passando 2 ou 3 anos em um determinado país antes de serem realocados em outro canto do mundo e os seus filhos, junto com os de diplomatas ou de famílias de várias nacionalidades, são matriculados nesses jardins de infância ingleses, onde quer que vivam no mundo.

Na carta enviada a esses jardins de infância, o gabinete do comissariado do governo para Budapeste liderado por Botond Sára Botond, detalha por que essa medida é necessária, com base na lei da educação pública:

A língua de educação é o húngaro. No caso de uma escola ou jardim de infância de etnia é total ou parcialmente a língua da nacionalidade, em uma escola bilíngue – com base em uma lei diferente – é a língua especificada.

No caso de uma instituição educacional estrangeira, a lei daquele estado precisa estar em vigor, reconhecendo a instituição como sua para fins educacionais.

O Ministério dos Recursos Humanos concluiu, depois de examinar a carta de fundações, os programas pedagógicos e o material informativo no site dos jardins de infância, que as instituições que conferem uma qualificação em língua estrangeira não podem continuar seu trabalho como instituições húngaras de ensino público por violação da lei, pois não fazem seu trabalho como instituições de etnia.

No caso de jardins de infância que não sejam de etnia, a educação só pode ser dada em húngaro e em seus nomes, todas as expressões referentes a uma língua estrangeira, como “em inglês”, são contra a lei da educação pública- escreve o gabinete do comissário do governo.

Como afirma o Ministério dos Recursos Humanos, o edital do programa nacional de educação infantil não dispõe sobre a possibilidade de ensino de língua estrangeira. Assim, também não pode ser incluído no programa educacional de jardins de infância. Em tese, com base na portaria do Ministério dos Recursos Humanos, qualquer nome pode ser atribuído a uma instituição de ensino pública, logo também a um jardim de infância, com a condição de não induzir em erro ou de não infringir lei alguma.

Levando-se em consideração que, com base na legislação em vigor, o ensino da língua inglesa não é considerado uma língua de etnia, a educação infantil concluída nesse idioma infringe as leis. A educação infantil na língua alemã é aprovada por ser uma língua de nacionalidade de uma minoria reconhecida.

Com base nessas informações, as autoridades pedem a todos os envolvidos que ajam o mais rápido possível, o que significa que eles devem excluir qualquer referência ao ensino de inglês de seu nome.

O 24.hu entrou em contato com o Ministério de Recursos Humanos e com o Escritório do Comissário do Governo, Botond Sára que enviou a carta. Eles queriam obter algumas respostas.

Porque se pretende impedir  o ensino de uma língua estrangeira? O que motivou a decisão e quais sanções podem ser esperadas se os afetados não cumprirem a mudança do nome de sua instituição e do seu programa educacional? Nos casos em que um jardim de infância deseja ensinar uma língua estrangeira, quais são suas formas de fazê-lo?

Nenhuma resposta foi dada antes da publicação quer do artigo do 24.hu quer do artigo do Daily News Hungary.

 

Ler também (em húngaro) artigo original

https://24.hu/belfold/2020/11/16/angol-nyelvu-ovoda-nyelvoktatas-nemzetisegi-ovoda/

Imagem: Unsplash

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