Entre Lisboa e Budapeste – A Fotografia de Ildikó Kardos e a Poesia de Pedro Assis Coimbra

por Pedro Assis Coimbra

Ainda eu não amanhecia nos teus olhos

„Ya me pareces que eres un cristal delicado.”
Miguel Hernandez

Sento-me no parapeito estreito do sonho
escrevo do amor que acaba de se anunciar
e em voz baixa de novo me convidar
para a margem de lá, a margem dos amantes.

Uso as perguntas e os vocábulos que sei
para fiel reproduzir a lua cheia do teu sorriso
nas tardes quentas da nossa preguiça clara
e dos teus cabelos longos e louros que percorro.

– Será que alguém algum dia nos cantará
depois que esta alegria e festa de ter abrigo
se aconchegar como um búzio à tua boca
e eu possa guardar na caixa de madeira tratada?

Imagina nas ruelas do meu destino que seria
– então ainda tu não amanhecias nos meus olhos
se soubesse tocar guitarra portuguesa para ti
antes ainda do encontro dos nossos corpos.

Budapeste, 21.03.1984

In “Amor e Metáforas” do livro “As Palavras Que Ficaram”

 

https://pedroassiscoimbra.blogspot.com/

Komor zivatarfelhők ölelésében a Szent István Bazilika aranyló épülete.
© Kardos Ildikó / 2021. Július

https://www.facebook.com/kardos.ildiko.photography

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