Entre Lisboa e Budapeste – A Arte da Imagem e as palavras da Poesia – A Fotografia de Boglárka Huszár e Poema de Pedro Assis Coimbra (I)

por Pedro Assis Coimbra

Sílabas do prazer

Percorro uma a uma
as palavras do poema
que os teus olhos anunciam
e que eu nunca escrevi.

Afável vinhas do pó enfeitada
com um misto de azinheira
e arbusto nos cabelos
presos a um pedaço de tecido
transparente raro e sedoso.

Trazias na boca
A rosa mais frágil do Japão
os sintomas vegetais
das amoras marítimas
um sabor forte e seco
de búzio em repouso.

Uma a uma percorres
as sílabas do prazer
todas as naus clandestinas
escondidas nas sombras
no convés passageiro pirata
do azul estival do corpo.

Na assimetria do silêncio
da aguarela da luz matinal
ardia o fósforo da emoção.
Partias para a casa incerta
para o parapeito do amor
com os braços longos do mar
viajante de Cristo a emigrar.

In “Os Paradoxos da Água” (Agosto-setembro 1982) – “As Palavras que Ficaram”

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