Empresas portuguesas à procura de negócios no mercado de “enorme potencial” em Moçambique

por LMn | Lusa
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Empresas portuguesas estão apostadas em entrar e crescer no mercado moçambicano, que definem como de “enorme potencial”, apesar da crise que ainda persiste após as restrições da covid-19.

“Moçambique é um mercado com enorme potencial de investimento”, explicou à Lusa José Simões, responsável da Cegid em Moçambique e Angola, uma entre as nove empresas portuguesas que têm as suas marcas expostas na maior feira de negócios moçambicana, a Facim.

A empresa de gestão de `software´, que resulta da fusão da Primavera e Eticadata, opera em Moçambique há mais de 20 anos e, hoje, no pavilhão de Portugal, procura reforçar a sua presença no país, elevando a carteira de cerca de mil clientes que já possui.

“Nós já somos líderes e queremos reforçar a nossa presença”, frisou José Simões.

Com as restrições impostas pela covid-19 nos últimos anos, o mercado do setor tecnológico do país africano cresceu, apesar dos desafios que o período apresentou, acrescentou Simões.

“A covid-19 trouxe um momento muito complicado para todos nós. Mas, no final do dia, para nós, apesar dos desafios, o período foi positivo e de evolução, incluindo para o próprio país que se teve de adaptar a novos desafios”, observou.

Mas o período descrito como positivo para a Cegid não foi agradável para o empresariado português de outros setores, como é o caso do grupo Mota Egil, que viu pelo menos três dos seus principais projetos, ligados aos megaprojetos de gás, suspensos devido ao terrorismo no Norte de Moçambique, além da covid-19.

“Neste momento o mercado moçambicano está numa fase de transição. Continuamos com os megaprojetos suspensos. Nós temos grandes perspetivas, até pelo facto de termos dois grandes projetos nos megaprojetos [a construção de dois cais na exploração de gás pela francesa Total em Afungi]”, disse à Lusa Aníbal Leite, editor executivo da construtora Mota-Engil África.

Apesar dos desafios, o grupo português Mota-Engil olha para o mercado moçambicano com boas projeções, com pelo menos 30 projetos em simultâneo, com destaque para reabilitação da Estrada Nacional Número 1, a principal, e a construção de um tribunal.

“Não temos crescido, mas temos mantido uma consistência e um registo bastante interessante. Mas não temos qualquer dúvida que com o reinício das obras dos megaprojetos, com outros projetos associados, acredito que Moçambique já é um dos principais mercados da Mota Egil”, acrescentou Aníbal Leite.

A reabilitação da principal estrada do país, numa extensão de mais de 2 mil quilómetros, vai também trazer novas perspetivas para o grupo farmacêutico português Azevedos Medis, que aponta a degradação da rodovia como um dos principais desafios na distribuição de medicamentos no setor, embora também destaque que o mercado moçambicano tem potencial.

“Por exemplo, o abastecimento de medicamentos para Nampula leva 15 dias (…) A estrada nacional tem alguns pontos desafiantes e não se podem fazer viagens de noite. Mas não é nada que não se ultrapasse”, afirmou à Lusa Ricardo Santos, diretor-geral da Azevedos Medis em Moçambique.

No geral, para o empresariado português, Moçambique continua “um mercado de enorme potencial” e agora a ambição é reforçar a presença no país que já em “bem conhecido”.

“Já há alguns anos o pavilhão de Portugal não é o maior da Facim, mas não é o maior porque as relações com Moçambique já são muito maduras, felizmente. Há imensas empresas de capital português que já são moçambicanas”, declarou à Lusa Fátima Vila, diretora de Relações Internacionais da Fundação AIP.

No total, na 58.ª edição da Feira Agrícola, Comercial e Industrial de Maputo (Facim), que termina no domingo, cerca de 2.500 empresas moçambicanas e estrangeiras estão, desde segunda-feira, a apresentar as suas marcas, serviços e produtos.

O número de expositores aumentou este ano, em comparação com a edição anterior, na qual estiveram representadas 2.100 empresas moçambicanas e estrangeiras.

Os expositores estão distribuídos em 12 pavilhões, que ocupam uma área total de 30.000 metros quadrados e a organização espera que visitem o certame pelo menos 50.000 pessoas.

*** Estêvão Chavisso (texto e vídeo) e Luísa Nhantumbo (fotos) da agência Lusa ***

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