Dóra Vöröskéry: A autora natural de Csaba está a trabalhar no seu terceiro livro

por Arnaldo Rivotti
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Por VÁGVÖLGYI NÓRA

Dóra Vöröskéry tem escrito contos grotescos desde a infância. A sua primeira coleção de contos foi publicada em 2019 sob o título “Pássaros que não voam”, com o qual ganhou o Prémio de Estreia da Associação de Escritores Húngaros e se tornou membro da Associação de Escritores. O apelido da jovem autora é um pseudónimo, uma combinação da sua cor de cabelo e um fragmento do apelido da sua bisavó.

– Qual foi a primeira história que pôs no papel?

– Quando andava na escola primária, escrevi uma história para um concurso de contos sobre uma fada que ia salvar a princesa. Pelo caminho, ela luta contra ouriços espinhosos, mas quando lá chega, a princesa liberta-se a si própria. Essa foi a primeira história que pousei no papel, e depois disso não houve nada que me impedisse. Adorava escrever, divertia-me a inventar histórias e a escrevê-las. Por exemplo, escrevi sobre um trabalhador de uma fábrica de pasta de dentes e um verme que vagueia pela cidade.

– Como juntou estes contos num volume?

– Continuei a escrever depois da escola secundária. Ao longo do caminho, procurei oportunidades de me candidatar a empregos porque precisava de estímulos e retorno. E os resultados começaram a fazer-me acreditar que era algo que eu podia fazer bem e que podia melhorar. Depois encontrei um convite à apresentação de candidaturas da Academia de Escritores, que estava apenas a começar, e candidatei-me. Este concurso foi para mim um enorme catalisador aos 19 anos de idade.

– Como surgem estas histórias ligeiramente grotescas e de contos de fadas?

– Há sempre um estímulo, uma situação que me agarra e desencadeia uma ideia. Por exemplo, no meu segundo volume, que acaba de ser publicado, há uma história de camelos, que teve a sua origem numa visita ao jardim zoológico com a minha mãe, onde se podia montar um camelo. Pergunto-me, o que podem estes animais fazer, se existe um limite de peso? Isto deu origem ao conto, no qual um homem não é autorizado a montar um camelo devido ao limite de peso, e existe uma espécie de mediação entre ele e o jardim zoológico.

– Porque organiza as suas ideias em pequenas histórias?

– O conto é um género imerecidamente irreconhecível e bem adaptado ao modo de vida do homem moderno. Como István Örkény disse, podem ser lidos sentados ou em pé, com vento e chuva ou num autocarro cheio de gente. É esta brevidade que me fascina como escritora e como leitora. Ou a complexidade que é a própria forma lírica de condensar as coisas. Gosto de histórias curtas para ter uma mensagem profunda, e é preciso descascar o verniz do sarcasmo e do humor para ver isso. Mas é claro que não há problema se o leitor só se deixar levar pelo humor. Ao mesmo tempo, as minhas histórias não podem ficar sem elementos de conto de fadas, porque os contos de fadas são uma linguagem universal com a qual todos se podem relacionar.

– Mas agora está a trabalhar num romance.

– Fiz um bacharelato em trabalho social em Szeged, formado no ano passado. Agora estou a fazer uma pequena viagem de carro e entretanto, estou a trabalhar num romance de aventura de viagem para jovens adultos, sobre uma jovem adolescente que procura alguém com as suas irmãs enquanto se envolve em várias aventuras. Durante a viagem, é claro, processos e mudanças começam a ter lugar nela também. Foi um grande desafio escrever um romance porque a minha mente já se tinha estabelecido em prosa mais curta. Ao mesmo tempo, esta história tem vindo a formar-se e a amadurecer em mim há seis ou sete anos, pelo que já tinha para onde queria ir, e tinha marcado os pontos principais, e no meio deixei a parcela fluir livremente. Estou a chegar ao fim, estarei a mexer nele durante o Verão, e depois decidirei o que fazer com ele.

– Ao ler a sua escrita, é difícil saber para que faixa etária se destina.

– É interessante com quem uma história se encontra e fala. Por exemplo, o romance em que estou a trabalhar agora é escrito para um público adulto jovem, mas acontece muitas vezes eu imaginar um leitor para a história e mais tarde ouvir de volta que era o favorito de alguém a quem eu poderia não o ter recomendado.

– Qual foi o primeiro romance que leu?

– Fiquei muito impressionada com o livro de Gyula Böszörményi Gergő e az álomfänger (Gergő e o Dreamcatcher), e li o volume de Prequel de Vis Major de Vavyan Fábula (originalmente Éva Molnár). Mas os meus interesses são tão variados como os contos que escrevo, incluindo István Fekete, Frigyes Karinthy, István Örkény e Neil Gaiman. Adoro ficar estarrecida, mas também adoro um final feliz para uma história.

Fonte: https://www.beol.hu/

Original aqui

Fotó: Bencsik Ádám

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