Do Impossível, de Catarina Sobral

por João Miguel Henriques

É importante vocação do Instituto Camões procurar promover a edição de autores portugueses no estrangeiro, nomeadamente através de apoios à tradução que motivem as editoras a apostar numa literatura que, por diferentes motivos, sente por vezes uma certa dificuldade em encontrar o seu espaço nos catálogos editoriais, estantes de livrarias e preferências dos leitores além-fronteiras. Em colaboração com tradutores e editores, também na Hungria o Camões tem desempenhado este seu papel, juntando aos tradicionais mecanismos de apoio o convite à visita de autores portugueses para apresentação das suas obras traduzidas para húngaro ou a organização de sessões de lançamento de novidades editoriais. Os festivais literários, nomeadamente o interessante Festival Europeu do Primeiro Romance que todas as primaveras se realiza em Budapeste, constitutem igualmente boas ocasiões para dar a conhecer as nossas letras ao púbico húngaro.

Seria demasiado exaustivo e fora de propósito elencar aqui todos os autores portugueses traduzidos e editados na Hungria ao longo das décadas, os quais, ao contrário do que se possa pensar, não se esgotam nos canônicos Eça, Pessoa e Saramago, se bem que tenha sido a canónica epopeia camoniana uma das primeiras obras portuguesas vertidas para húngaro. Mas a lista é felizmente vária, incluindo títulos tão distintos como a História Concisa de Portugal, de José Hermano Saraiva, ou o belíssimo Horto de Incêndio, do poeta Al Berto. Ou então a obra da autora e ilustradora Catarina Sobral, para chegar finalmente ao assunto que aqui nos traz. Se a ficção portuguesa contemporânea é de um modo geral pouco conhecida entre os leitores húngaros, a literatura infanto-juvenil é ainda praticamente ignorada, exceptuando-se precisamente o caso de Catarina Sobral, que acaba de editar na Hungria o seu terceiro livro, mais uma vez pela mão da notável editora Vivandra. Depois das edições húngaras de O Meu Avô e Achimpa, chega agora às bancas o seu Impossível, na tradução de Brigitta Cser. Pandemias e restrições impediram que a autora marcasse presença, conforme planeado, no recente festival literário PesText. Mais um dos tantos privilégios que estes estranhos meses nos têm negado. Ainda assim, tal não impediu que a editora Vivandra organizasse na Galeria Gross Arnold uma bonita exposição de ilustrações de Catarina Sobral, retiradas dos diferentes títulos da sua obra. Ao leitor que por ali ande na vibrante avenida Bártok Béla, sugere-se que páre para um café ou um chá na dita galeria, ao número 46, e aprecie, até ao próximo dia 17 de Outubro, a arte de uma das nossas mais talentosas autoras infanto-juvenis.

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