Dá cá um bacalhau!

por Fernando Lopes

Dá cá um bacalhau! Adj ide egy tőkehalat! vs Itt a kezem, nem disznóláb! Aqui está a minha mão, não um pé de porco!

Só quem ainda nunca esteve em Portugal poderá estranhar que até para cumprimentar um amigo ou para uma saudação mais calorosa, se possa usar uma expressão que tenha bacalhau (seguramente seco e salgado) no final da frase… ”Dá cá um bacalhau” em que a tradução literal é „Adj ide egy tőkehalat”… o que devido ao baixo consumo de peixe na Hungria e em especial de bacalhau, torna a tradução e a compreensão do seu significado ainda mais difícil…

Longe do mar, do oceano, mas próximo das margens do rio Danúbio ou do rio Tissza, na busca de um dito popular ”magyar” que pudesse ser parceiro da saudação ”dá cá um bacalhau” não foi tarefa fácil, que isto dos idiomas, mesmo sem mostrar a língua, tem muito que se lhe diga…

Itt a kezem, nem disznóláb! Aqui está a minha mão, não um pé de porco! (Tradução literal)

Venha lá a explicação! Na Hungria usa-se a expressão „Itt a kezem, nem disznóláb” quando se quer tranquilizar o parceiro do aperto de mão, que é uma mão inofensiva, que não tem uma ”arma” escondida… e ainda outra coisinha, este ”pé de porco” não se refere a um animal de quatro patas, utiliza-se para algo mau ou muito ruim…

Com um simples gesto e um sorriso aberto, com a mão estendida e a palma da mão aberta, é certo que não estará escondido alguma surpresa desagradável, nenhum ”disznóláb (pé de porco)”.

Dá cá um bacalhau e acaba com isto que de contrário, ainda „fica tudo em águas de bacalhau”.

No seu ensaio sobre a História do Bacalhau (Parte IV), Chef Rivotti refere que o bacalhau, que começou verosimilmente como uma necessidade, tornou-se ao longo do tempo um hábito querido e um alimento de sucesso nos hábitos alimentares dos portugueses. Penetrou na linguística em função das diferentes localidades, épocas e dos diversos costumes, na toponímia – Rua dos Bacalhoeiros – e serviu para designar o aperto de mão e o sexo das mulheres e outros assuntos que não têm desenlace e ficam em “águas de bacalhau”. Mais refere Rivotti, que os “Enterros do Bacalhau” tratavam de parodiar o cerimonial da Justiça – com julgamentos em que o bacalhau se defendia das mais variadas acusações.

A História do Bacalhau será republicada pelo LusoMagyar News nas suas próximas edições.

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