D. Henrique, o Navegador (1394-1460): entre a memória e a história

por LMn

Hoje, lembramos o Infante D. Henrique “O Navegador” nascido a 4 de março de 1394.

A era dos Descobrimentos, que tantos protagonistas teve, começou com D. Henrique, o infante que nasceu a 4 de março de 1394 na cidade do Porto.

Visionário, aventureiro, empreendedor. Tudo isto foi o quinto filho de João I e de Filipa de Lencastre. Com ele começou a grandiosa era dos Descobrimentos.

O desejo de expansão do comércio e do cristianismo conduziu o Infante D. Henrique ao sonho aparentemente impossível de chegar a terras desconhecidas e misteriosas, de existência vaga em imprecisas informações.

Em 1415 é armado cavaleiro na batalha da conquista de Ceuta.

Depois da feliz expedição a Ceuta, projeto em que se envolvera com afinco, mais confiante e determinado ficara na vontade em iniciar as empresas marítimas.

Por sua iniciativa, na primeira metade do século XV navegadores portugueses começaram a explorar a costa ocidental de África e a aventurarem-se nas águas “ferventes” do Atlântico, povoadas de monstros inimagináveis. As viagens eram arriscadas, os homens tinham medo, mas o infante cognominado o Navegador, nunca pensou em desistir. Por 12 anos manda ao mar navios para descobrir o que estava além do Bojador e, em 1434, Gil Eanes consegue a façanha de dobrar o cabo. A partir daqui a geografia do mundo mudou.

Para vencer correntes e marés, investe em formação, conhecimento e experiência. Decide criar em terras do Algarve, uma escola.

Porém, ao contrário do que se pensa e diz, não foi em Sagres que o Infante juntou os mais avançados especialistas em matéria de navegação, oriundos sobretudo da comunidade judaica (Ver o “Papel dos Judeus nos Grandes Descobrimentos”).

O Infante toma conta da direção da Ordem de Cristo como seu governador em 1417, apenas com 23 anos, passa a viver em Tomar, para o que manda construir o seu palácio, junto ao Convento de Cristo, onde viveria mais tarde a Rainha D. Catarina, e é com os rendimentos e rendas desta já poderosa Ordem, que fomenta e financia a grande empresa dos Descobrimentos marítimos.

É com o Infante que os Cavaleiros se tornaram navegantes e que muitos navegantes se tornaram cavaleiros de Ordem de Cristo. Para tal, o príncipe obtém do Papa a instituição do voto parcial de pobreza permitindo que o cavaleiro, por herança a sua família, beneficiasse de um terço dos bens que almejasse para a Ordem.

No campo espiritual vai introduzir na ordem um ramo de freires contemplativos, com o fim de rezarem por aqueles que andavam no além-mar e de formar padres para a evangelização e povoamento dos novos territórios. Fica assim a Ordem definitivamente vinculada ao espiritual das terras descobertas.

Em 1443, D. Henrique obtém o monopólio da navegação, guerra e comércio nas terras ao sul do Bojador. O Papa Nicolau V, em 1455, emite uma bula que concede aos reis de Portugal a propriedade exclusiva das terras e mares já conquistados ou por conquistar, possuídos ou a possuir.

Ao designar como seu herdeiro universal o segundo filho do rei D. Duarte, o seu sobrinho D. Fernando, o Infante vai consagrar o exercício da governação da Ordem à família real. Ainda em vida, o Infante consagrou à Ordem de Cristo parte da administração do arquipélago da Madeira, das ilhas S. Miguel e de Santa Maria nos Açores e o arquipélago de Cabo Verde.

Henrique morreu em 1460. Morreu solteiro e pobre. Tinha dado a Portugal, com o seu coração, todos os seus esforços e todos os seus haveres. Tinha gasto tudo na preparação das expedições e tinha ainda gasto nelas as rendas da Ordem de Cristo, de que era Grão-Mestre. Alcançara a glória de ser o génio criador e o primeiro organizador das navegações maravilhosas dos Lusos e, com a sua energia inteligente e pertinaz e com a sua fé sugestionadora, fizera dos seus marinheiros heróis. Portugal, reconhecido, venerou e glorificou sempre a sua memória e o seu nome figura aureolado nas páginas da Epopeia dos Lusíadas.

 

Fontes Consultadas:

  • Papel dos Judeus nos Grandes Descobrimentos
  • Início da cultura das Matemáticas em Portugal por influência da Náutica
  • Os cosmógrafos de D. João II
  • Os continuadores de Zacuto e José Vizinho na obra de aplicação da Astronomia à Náutica
  • O Infante D. Henrique e o mito da Escola de Sagres
  • Príncipe D. Henrique – Convento de Cristo (conventocristo.gov.pt)
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