Conte um conto!: “História do compadre pobre e do compadre rico” – A két koma!

por Arnaldo Rivotti

Adolfo Coelho, a par de Teófilo Braga, Consiglieri Pedroso, Leite de Vasconcelos e Rocha Peixoto, é uma personalidade fundamental no desenvolvimento da etnografia e antropologia em Portugal. Adolfo Coelho (1847-1919) foi pedagogo, etnógrafo, historiador, crítico literário e professor no Curso Superior de Letras. Privilegiando o estudo da literatura e tradições populares, organizou aquela que foi a primeira recolha sistemática de contos tradicionais, Os Contos Populares Portugueses (1879), e a primeira recolha de literatura e tradições infantis, Jogos e Rimas Infantis (1883). Em 1871, participou nas célebres Conferências do Casino, enquanto destacado membro da famosa Geração de 70. As suas conceções pedagógicas assentavam na convicção de que através da educação seria possível regenerar o país. O seu espírito curioso e científico e a sua adesão ao pensamento reformista oitocentista português, fizeram da sua vasta obra uma verdadeira arca de tesouros da cultura portuguesa. Os seus contos são contos de todos os tempos e de todas as idades. Uma obra que nos devolve o imaginário e o maravilhoso da nossa cultura popular.

História do Compadre Pobre e do Compadre Rico

Moravam n’uma aldea dois compadres. Um era pobre e o outro rico, mas muito miseravel. N’aquella terra era uso, todos quantos matavam porco dar um lombo ao abbade. O compadre rico, que queria matar porco sem ter de dar o lombo, lamentou-se ao pobre, dizendo mal de tal uso. Este deu-lhe de conselho, que matasse o porco e o dependurasse no quintal, recolhendo-o de madrugada, para depois dizer que lh’o tinham roubado.

Ficou muito contente com aquella ideia e seguiu á risca o que o compadre pobre lhe tinha dito. Depois deitou-se com tenção de ir de madrugada ao quintal buscar o porco. Mas o compadre pobre, que era espertalhão foi lá de noite e roubou-lh’o. No dia seguinte, quando o rico deu pela falta do porco, correu a casa do compadre pobre e muito afllicto contou-lhe o acontecido. Este, fazendo-se desentendido, dizia-lhe: «Assim, compadre! bravo! muito bem, muito bem! assim é que há-de dizer para se esquivar de dar o lombo ao abbade!»

O rico cada vez teimava mais ser certo terem-lhe roubado o porco; e o pobre cada vez se ria mais, até que aquelle sahiu desesperado, porque o não entendiam.

O que roubou o porco ficou muito contente e disse á mulher: «Olha, mulher! d’esta maneira tambem havemos de arranjar vinho. Tu hás de ir a correr e a chorar para casa do compadre, fingindo que eu te quero bater; levas um odre debaixo do fato, e quando sentires a minha voz foges para a adega do compadre e enquanto eu estou fallando com elle, enches o odre de vinho e foges pela outra porta para casa.» A mulher, fingindo-se muito afllicta correu para casa do compadre, pedindo que lhe acudisse, porque o marido a queria matar. N’isto ouviu a voz do marido e correu para a adega do compadre, e emquanto este diligenciava apaziguar-lhe a ira, enchia ella o odre. Tinha-lhe esquecido, porém, um cordão para o atar, mas tendo uma idea gritou para o marido: «Ah! guela de odre sem nagalho.» O marido, que entendeu, respondeu-lhe: «Ah! grande atrevida!… que eu se lá vou abaixo, com a fita do cabello te hei de afogar!» Ella, apenas isto ouviu, desatou logo o cabello, atou com a fita a boca do odre e fugiu com elle para casa. D’esta maneira tiveram porco e vinho sem lhes custar nada, e enganáram o avarento do compadre.

(Lisboa, d’uma pessoa da Beira-Baixa.)

A Két Koma (Os Dois Compadres)

Na versão húngara deste conto, duas pessoas querem-se enganar, mas nunca conseguem porque são ambas astutas. Também neste filme, Marcell Jankovics estendeu a mão para as histórias bem conhecidas e menos conhecidas dos contos populares húngaros. No estilo da série, ele usa os motivos da arte popular, criando um mundo visual individual que é agradável para crianças e adultos. O conto é contado por Gyula Szabó:

 

 

Fonte consultada: fabula.pt

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