Caza das Vellas Loreto

por Dina Cardoso

A LOJA

É uma das lojas mais antigas da cidade e, entre as Lojas Com História, aquela que há mais tempo se mantém no mesmo local, na mesma família, e a produzir e vender o mesmo produto.

1789: Sete, oito, nove: esta sucessão ordeira de algarismos remete a uma Lisboa que nos pede um exercício de imaginação. É visualizar uma cidade extensamente rural, com os ofícios concentrados no Chiado e na Baixa e muitos vendedores de rua, carruagens, muito bulício e, claro, nenhuma outra fonte de luz artificial. A vela tinha um protagonismo neste tempo que necessariamente perdeu: era iluminação fácil de gerar e era portátil. Quando o progresso traz a iluminação pública, depois privada para algumas elites, primeiro a gás e só décadas mais tarde a eletricidade, o negócio confronta-se com o desafio de se atualizar e encontrar novas formas de pertinência. É isso o que a Caza das Vellas tem vindo a fazer tão bem ao longo dos tempos, acompanhá-los, conseguindo um equilíbrio dinâmico e difícil de encontrar entre tradição e modernidade, o valor da memória e do património e a atualização dos tempos, dos modos e costumes.

Entrar nesta loja hoje não só é um deleite para os sentidos (as cores, os cheiros, um certo refúgio ao barulho da rua) como é também uma experiência satisfatória ao nível de qualquer casa moderna, nas novas velas que vão sendo imaginadas e testadas e ali produzidas (veja-se os frutos ou as velas brancas com expressivas pinceladas a negro) e ainda, fortemente, um fantástico mausoléu de memórias e evocações de outros tempos. O relógio de pêndulo que encima o arco que separa a loja das oficinas e que nos relembra que o tempo já não volta atrás. Os altos armários envidraçados que terminam em pinos ogivais, e que lembram o formato da chama. A paleta de cores resultado da cuidada disposição das velas, que se vai alterando consoante as estações e a sensibilidade apurada dos lojistas, e que faz com que cada visita possa ter sempre um novo sabor. O característico aroma a mel e óleos essenciais que inunda o ar e ajuda a marcar a distância ao bulício da Rua Loreto lá fora. Nos bastidores, longe do olhar público, uma oficina a que chamam “fábrica” mantém os ancestrais processos de manufatura, como o arco de pau-santo, aliado a equipamento moderno.

Ali, a produção de velas responde aos ritmos litúrgicos e sazonais: a paisagem é muito diferente antes da Páscoa ou do Natal, de Inverno ou de Verão. Isto demonstra que, seja para fins decorativos ou religiosos, a vela ainda tem o seu lugar na simbologia das nossas crenças e dos nossos gestos – pensamos nas velas para batizados – e uma presença especial nas nossas casas – uma vela bordada à mão, uma vela que só se encontra aqui e que é feita com mel, as diferentes velas aromáticas, enfim, velas de tantas formas, tamanhos, cores e aromas quanto for possível desejar. Se não encontrar uma forma para o seu desejo, certas coisas podem ser feitas por encomenda. Além disso, e como o ofício da cera não são só velas, ainda há espaço para as figuras do presépio tradicional e ex-votos, também conhecidos por “milagres”.

 

Fonte:

http://lojascomhistoria.pt/lojas/caza-das-vellas-loreto

https://www.cazavellasloreto.com.pt/

Print Friendly, PDF & Email

Também poderá gostar de

O nosso website utiliza cookies para melhorar a sua experiência de navegação. Aceitar Ler Mais

Privacidade