Carta da Avó pelo Natal

por Pál Ferenc

E uma vez mais o Natal chegou, de mansinho e discreto, caloroso e familiar. Estava a pensar na família, nos avós quando me lembrei que havia um verso de um poeta húngaro traduzido para português que seria muito bom encontrar e publicar no LMN nesta quadra de Natal. Procurei e mais que isso encontrei, um poema de Natal na antologia de Ernesto Rodrigues, um verso – Carta da Avó pelo Natal – de Lezsák Sándor (1949), poeta laureado com o Prémio József Attila. Lezsák Sándor após trabalhar alguns anos como professor de uma escola primária da província, tornou-se um destacado ativista político e atualmente é um dos vice-presidentes do Parlamento da Hungria.

CARTA DA AVÓ PELO NATAL
Nagymama levele karácsonyra

Meu querido neto, espero do bom Deus
que estas linhas te encontrem bem de saúde,
que eu fico bem, graças a Deus,
estou de saúde, mas muito sozinha,
e quero dizer-te que no dia
de todos os santos estive com o vosso Avô,
afundou-se de novo a campa, a terra não é boa, está sempre
a afundar-se, devíamos fazer alguma coisa, e faço-te saber
também que cortaram as cerejeiras, bom é que
o vosso Avô já não viva para ver isto, e despacho
algumas nozes e maçãs, comei-as
com saúde, e também te quero dizer
que a Erzsike dos Balog se matou,
um homem da cidade desonrou-a,
isto por cá é agora a novidade, e cuida de ti,
veste-te bem, que vêm tempos frios,
e que Deus te abençoe, meu querido neto.
A avó. É também o que eu te desejo, que escrevo a carta,
a tia Juliska.

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