Caretos de Busó: o Carnaval de Mohács na Hungria (HUNGARIKUM II)

por Arnaldo Rivotti

Os Caretos de Busó (Busójárás) são reconhecidos desde 2009 pela UNESCO, como Património Cultural e Imaterial da Humanidade e integram a lista do património imaterial da Hungria, designada por HUNGARIKUM.  

O festival Busójárás celebra o fim do inverno com desfiles de fantasias assustadoras e muito fogo!

Mohács fica a 210 km da capital húngara, uma pequena cidade com cerca de 17 mil habitantes, que é famosa pelos desfiles carnavalescos e também pela batalha de Mohács, que ocorreu a 29 de agosto de 1526 entre o exército do Reino da Hungria, chefiado por Luís II, e o exército otomano sob a liderança de Solimão, o Magnífico.

O Busójárás é uma celebração dos Šokci (etnia de eslavos meridionais) habitantes de Mohács, que ocorre no final do inverno.

Conta a lenda que o início do Busójárás aconteceu durante a invasão otomana em Mohács, quando a população se refugiou nos pântanos situados nos arrabaldes da cidade. Em pleno inverno, num quadro cheio de adversidades, conversavam os Šokci à volta da fogueira, quando apareceu um ancião que disse: “Não tenhais medo, as vossas vidas irão melhorar em breve e podereis retornar à tranquilidade dos vossos lares. Mas antes, terão de se preparar para uma dura batalha. Preparem máscaras de meter medo ao susto, vistam-se com peles de animais selvagens, recolham utensílios para fazer barulho, e aguardem por uma noite de tempestade, quando receberem o chamamento de um cavaleiro mascarado”. O ancião deu uma salto, começou a balbuciar, a abanar as mãos, como um moinho abana as pás e desapareceu  repentinamente,  por entre as labaredas da fogueira.

E assim fizeram. Aguardaram ansiosamente e, numa noite de chuva torrencial, o cavaleiro apareceu ordenando-lhes para colocarem as máscaras e voltar a Mohács, fazendo tanto barulho quanto possível. Assim agiram como lhes fora ordenado. Os otomanos ficaram tão assustados com o ruído, os caretos e a tempestade, que achavam que os demónios andavam à solta e fugiram da cidade antes mesmo do amanhecer. A partir daí, todos os anos, é celebrado o regresso a casa.

Já uma outra lenda relata uma situação semelhante, mas desta feita seria mesmo para espantar o inverno.

Seja qual for a lenda, a cidade ainda hoje se organiza e se prepara para a celebração, que dura seis dias. Tem início na quinta-feira antes do Carnaval e continua até terça-feira Gorda ou Mardi Gras (Farsangtemetés), quando ocorre a maior celebração.

Durante todos os dias, os homens vestem-se com peles de animais e ostentam máscaras de madeira, além de vários adornos de ferramentas e artefatos rurais. São os Busós (pronuncia-se buchôs). Já as mulheres usam vestidos típicos, com lenços a tapar o rosto, armando-se com bengalas e pás de madeira.

E então começa a folia! Os caretos fantasiados saem desfilando pelas ruas provocando as pessoas e vale (quase!!) tudo: abraços, bengaladas e apalpões nos rabos. As mulheres provocam os homens e vice-versa. Carros e carroças alegóricos adornados como se de uma colheita tivessem saído complementam o cenário da festa, que recebem grupos de Busós (caretos), vindos de outros países.

Para animar os festejos, não falta música, danças típicas, comidas, vinho e o famoso “ Pálinkás csörögefánk” de Mohács.

O Carnaval de Mohács termina, com a queima do “entrudo”.

No último dia, um caixão a simbolizar o inverno é construído e trazido em desfile até a praça principal de Mohács, onde está armada uma enorme fogueira.

O caixão logo se consome entre as chamas, reduzindo-se a cinzas.

Termina assim o Busójárás, mas agora vamos ter de aguardar mais uns tempos, pois este ano, infelizmente devido à pandemia, foi adiado.

Bem-vinda primavera!

Fonte consultada: Hungarikum

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