Caminhar em contramão – Chegada a Budapeste (Soroksár, XXIII)

por Vitor Vicente

“Sör” terá sido uma das primeiras palavras que aprendi em Húngaro. Significa cerveja; vocábulo de inapelável serventia para quem acaba de chegar, sozinho, a uma nova cidade.

Um dos pensamentos que me vieram à cabeça, ainda sóbrio, foi a diferença entre a palavra Húngara e a Polaca (Piwo), conduzindo-me  ao seguinte ensinamento: como a palavra cerveja se assemelha em todas as línguas eslavas.

Devia ir a caminho da quarta (cerveja), quando me apercebi (terceira lição) que o Húngaro não tem nada a ver com os idiomas dos países fronteiriços; aliás, não tem nada ver com nada, quando muito com o Turco?

Pouco tempo depois, após várias sequências de cerveja e cumpridos os iniciáticos passos no licor local (Palinka), memorizei outra palavra, “Soproni”. Na época, tratava-se da melhor cerveja cá do (ex. Habs)burgo, produto que nos últimos quatro anos melhorou significativamente.

“Soproni”, conforme me ensinaram, assim chamada por ser oriunda de Sopron; a primeira cidade – estendendo a cátedra da linguística para a geografia –  de quem vem de Viena.

Mais tarde, ouvi falar de Soroksár, de pessoas que lá tinham morado ou ido no fim-de-semana. Pensei tratar-se duma vila vizinha, vá lá um subúrbio. Não estivéssemos ainda em 1950 e eu até nem estaria enganado; sendo assim, estou apenas desatualizado.

Soroksár foi o último dos bairros a integrar a grande Budapeste, recebendo por isso o número XXIII.  Fica na periferia, consta que tem um Ikea.

Nunca lá fui. Podia ter associado Soroksár a Soros. Ao fim de umas quantas rodadas, continuo a associar a “Sör.”

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