A avaliação de Portugal na Hungria entre as duas guerras mundiais (Portugália magyarországi megítélése a két világháború között) – Pál Zsombor Szabolcs

por Pál Ferenc

No seu livro, A avaliação de Portugal na Hungria entre as duas guerras mundiais, o pesquisador húngaro Zsombor Szabolcs Pál tenta explorar as relações entre a Hungria e Portugal, dois países europeus que não tinham contatos muito amplos no decorrer da história, concentrando principalmente no interesse do lado húngaro durante o período de entreguerras. Este país da Península Ibérica que antes não fora tomado a sério e tinha sido muitas vezes subestimado pelos  húngaros, após o aparecimento do seu ditador António de Oliveira Salazar, que teve um papel marcante na história do século XIX do seu país, passou a ser visto como exemplo em vários países europeus, incluindo a Hungria. Na Hungria, inicialmente  os membros do chamado “movimento de católicos jovens” —  que trabalhava principalmente para renovar a politização católica — começaram a acompanhar as mudanças em Portugal, e poucos anos depois de publicados os primeiros artigos de interesse geral, alguns jornalistas e especialistas visitaram o país das costas do Atlântico. Vale a pena mencionar, entre outros,  o nome de Vid Mihelics, que publicou as experiências da sua viagem num livro  volumoso e de rigor científico, intitulado O Novo Portugal. Ao mesmo tempo, o seu trabalho é uma boa indicação do interesse que a liderança política e económica húngara manifestava nesta época pelo sistema português, visto que a sua viagem foi financiada por Béla Imrédy, que na altura dirigia o Banco Nacional Húngaro. Este político, logo depois, já primeiro ministro, pretendia introduzir reformas parecidas às de Salazar, na Hungria.  Após a sua demissão, resultado da sua reviravolta ideológica,  o seu sucessor, Pál Teleki, queria adoptar algumas das reformas políticas e sociais portuguesas, segundo os seus planos de reforma constitucional e discursos parlamentares mostram, uma vez que, como muitos dos seus contemporâneos, ele tão pouco percebeu que o sistema de Salazar não é, em absoluto,  a implementação dos princípios cristãos sólidos – a pesar de que muitos pensassem isso. Após a morte trágica de Teleki, entretanto que  a Europa e também a Hungria eram cada vez mais envolvidas na guerra, o exemplo português aos poucos perdia a importância no meio húngaro, embora havia muitos que observavam ansiosamente como o pequeno país conservasse a sua independência na luta gigantesca nas nações. Este período colorido e agitado das relações luso-húngaras foi finalmente acabado, como muitas outras coisas,  com a mudança gradual da orientação política húngara, a partir de 1945, pois tudo o que pudesse estar ligado com o sistema português foi apregoado de fascista e rejeitado na Hungria. Este ano marca, portanto, o fim do período estudado pelo livro.

A monografia pode ser de uma leitura interessante também para o público em geral, pois é excitante ler as  fontes contemporâneas que aparecem citadas em forma original. Os interessados podem requisitar o livro em húngaro, escrevendo para: pal[ponto]zsombor [arroba/kukac]ajk [ponto].hu

 

Dr. Pál Zsombor Szabolcs, PhD. (1985) formou-se na Universidade Eötvös Loránd de Budapeste, obtendo licenciaturas em História, Português e Ensino, e na mesma universidade doutorou-se em em História Nova e Contemporânea Universal, com esta monografia sobre as relações entre Portugal e Hungria,  cuja apresentação podem ler acima. Atualmente trabalha como historiador no Centro de Conhecimento de Antall József e estuda história, questões políticas e económicas dos países de língua portuguesa e espanhola.

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