Assim era o Natal na Hungria nos anos 80

por LMn

Por Kun Orsolya

Eu era ainda uma criança nos anos 80. Era uma época diferente na altura, o Natal era diferente. Não sei se pior ou melhor, mas era diferente.

Agora que me estou a preparar para a quadra natalícia, preparando surpresas para os meus próprios filhos, tenho estado a fazer uma pequena reflexão.

O que mais me lembro do Natal são os gostos e os cheiros. Os cheiros de beigli’s a sair do forno, kifli’s (pãezinhos) cor de neve, couve recheada refogada, carne assada, sopa de peixe, misturado com o cheiro de laranjas e bananas debaixo da árvore, disponível apenas nesta altura do ano.

Lembro-me de estar na fila com a minha mãe durante longos minutos antes do Natal, quando chegou a notícia de que as bananas estavam a chegar à loja. Nunca tivemos uma tal variedade de gostos, comemos os mesmos pratos familiares todos os anos, e isso era o que havia de bom, porque nos podíamos preparar para os sabores da consoada com antecedência.

Na aldeia, acontecia a matança dos porcos pouco antes do Natal e comiam-se iguarias bem temperadas.

A árvore era decorada pelos nossos pais quando éramos pequenos e depois juntos com a família quando éramos mais velhos. Havia nozes douradas, pedaços de doces amarrados (que o meu pai e eu costumávamos tirar sorrateiramente do papel para que só ficassem os vazios), merengues, cabelo de anjo, ornamentos verdes e amarelos com a forma de pinhas. Acrescentávamos frequentemente velas. O cintilante cintilava, o anjo do céu tocava em vinil.

Não existiam mil sabores de szalancukor (bombons de natal), apenas rebuçados mergulhados em chocolate, framboesa, baunilha, limão e cascas de laranja.

Na minha família, costumávamos ir dar um passeio antes de abrir os presentes. Costumávamos contar o número de janelas com luzes de árvores de Natal e perguntávamo-nos onde o menino Jesus tinha estado. Naqueles dias, a neve ainda era comum durante as férias, e lembro-me do som da neve, do brilho.

Enquanto caminhávamos, aquele que ficava em casa fazia presentes debaixo da árvore. Foi com o coração de uma criança que fiquei contente por ver as luzes acesas e a campainha a tocar debaixo da árvore pouco depois de termos chegado a casa. Cantamos o Pequeno Natal, o Grande Natal e depois abrimos os nossos presentes.

Lembro-me do Monchichi, do carro da lua, do Get Smart, dos muitos, muitos jogos de tabuleiro que jogávamos sem parar durante dias.

Depois dos presentes, ficávamos em frente à televisão e víamos o programa de Natal, sabendo que todos na vizinhança, ou mesmo ao fundo da rua, estavam a ver a mesma coisa. Os três desejos festivos, o Cabaret, os filmes e espectáculos habituais. Depois, quem sentisse vontade, ia à missa à meia-noite.

O Natal era sobre a união, era sobre a tradição. Tratava-se de amor.

Crédito das imagens: FORTEPAN

Fonte: https://sokszinuvidek.24.hu/

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