As ostras especiais da Ria de Aveiro crescem durante dois anos

por LMn
Bem-vindo à Ilha dos Puxadoiros, no coração da Ria de Aveiro…

“A ria é um enorme pólipo com os braços estendidos pelo interior desde Ovar até Mira. Todas as águas do Vouga, do Águeda e dos veios que nestes sítios correm para o mar encharcam nas terras baixas, retidas pela duna de quarenta e tantos quilómetros de comprido, formando uma série de poças, de canais, de lagos e uma vasta bacia salgada. De um lado o mar bate e levanta constantemente a duna, impedindo a água de escoar; do outro é o homem que junta a terra movediça e a regulariza. Vem depois a raiz e ajuda-o a fixar o movimento incessante das areias, transformando o charco numa magnífica estrada, que lhe dá o estrume e o pão, o peixe e a água da rega. Abre canais e valas. Semeia o milho na ria. Povoa a terra alagadiça, e à custa de esforços persistentes, obriga a areia inútil a renovar constantemente a vida.”….
“É a ria também sítio para os que querem descobrir novas terras à proa do seu barco e para os que amam a luz acima de todas as coisas. Eu por mim adoro-a. É-me mais necessária que o pão. E é este talvez o ponto da nossa terra onde ela atinge a beleza suprema. Na ria o ar tem nervos. A luz hesita e cisma e esta atmosfera comunica distinção aos homens e às mulheres, e até às coisas, mais finas na claridade carinhosa, delicada e sensível que as rodeia. A luz aqui estremece antes de pousar…”


Raul Brandão, Os pescadores, 1920

A empresa aveirense Ilha dos Puxadoiros acaba de lançar as Aveiro Special Oysters, umas ostras maiores e mais carnudas, que já podem ser provadas em casa ou nos hotéis do grupo Torel Boutiques.

Uma casca bem forma, que “não aleija”, onde se encontra uma “ostra cheia e plena” – é assim que Vergílio Ferreira, administrador da Ilha dos Puxadoiros descreve o último lançamento da empresa, as Aveiro Special Oysters. Apresentadas esta semana, em parceria com os hotéis Torel Boutiques e com os Vinhos Campolargo, estas ostras especiais demora mais tempo a desenvolver-se e têm uma maior percentagem de massa corporal.

Se as ditas normais – ou “premium” – crescem durante cerca de um ano e meio, as “special” demoram entre dois e dois anos e meio, conseguindo alcançar assim 16% de massa corporal, face aos 10% das ostras normais. Por serem produzidas na Ria de Aveiro, com “influência da água doce que vem do Rio Vouga”, o sabor é menos salgado e mais suave.

Este tipo de ostra “existe há muito tempo em Aveiro”, mas iam todas para o estrangeiro. A Ilha dos Puxadoiros pretende mudar o destino dos moluscos, “criando uma cultura ostrícola em Portugal”, que “ponha os portugueses a comer ostra”, que é, de resto “um excelente produto a nível nutricional”.

Quem ficou curioso, pode encomendar uma caixa destas ostras especiais (com o mínimo de um quilo) contactando o Ostra em Casa, o canal de venda da Ilha dos Puxadoiros. As entregas são feitas em 24 horas, dentro da Península Ibérica, e sugere-se que sejam consumidas o mais rápido possível. De qualquer forma, Vergílio garante que se conservam bem durante uma semana, se refrigeradas entre 4 e 6 graus, cuidadosamente arrumadas na caixa, para que não percam a sua água.

As ostras estão também disponíveis para degustação para os hóspedes dos hotéis do grupo Torel Boutiques (Torel Palace Porto, Torel Avantgarde e Torel Palace Lisbon) através de reserva antecipada, com harmonização vínica, e servidas no quarto. Em breve, irão também integrar a carta do restaurante BLIND, do Torel Palace Porto, que tem a assinatura do premiado chef Vítor Matos.

Fonte: Evasões.pt

 

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