Angola: Os nossos aliados europeus boicotaram a viagem de Orbán

por LMn

Artigo de Viktor Buzna | index.hu

No decorrer da sua prevista visita no ano passado a Angola, o Primeiro-Ministro Viktor Orbán teria concluído um negócio de pelo menos 15 mil milhões de forints, apurou o Índex.hu. Se o negócio no setor da agricultura tivesse sido feito, a Hungria ter-se-ia juntado à liga onde estão a China, os Estados Unidos e as principais economias europeias, mas no último minuto a concorrência convenceu o governo de Luanda.

Interesses violados. O Index soube de fontes diplomáticas que:

A VISITA DE VIKTOR ORBÁN A ANGOLA NO ANO PASSADO FOI BOICOTADA POR ESPANHA E PORTUGAL

O Primeiro-Ministro Húngaro teria viajado  para aquele país africano em 26 de março de 2019, mas a visita foi cancelada no último momento. No entanto, a visita teria sido de importância histórica, pois a última vez que um dirigente húngaro visitou a região subsariana foi há 35 anos. Assim em vez de chegar a Luanda, capital angolana, centro político e económico com 3 milhões de habitantes, devido ao recuo no último momento, Orbán chegou apenas à capital de Cabo Verde, Praia com 113.000 habitantes.

Mas a história não termina aqui. O Ministério dos Negócios Estrangeiros (KKM) justificou o insucesso da viagem com “problemas de nomeação”, mas o portal de notícias português Expresso, citando fontes diplomáticas de Luanda, escreveu que o Presidente angolano João Lourenço não aceitou o encontro por considerar Viktor Orbán de extrema-direita e o líder mais xenófobo da Europa.

O Index soube agora que os lobbies de Madrid e Lisboa derrotaram o interesse húngaro. Viktor Orbán também se preparou para a viagem com um acordo histórico, mas seu plano violou interesses económicos espanhóis e portugueses. Segundo a nossa informação, em troca de produtos húngaros, o governo angolano teria cedido a concessão de cultivo de importantes terras agrícolas. As terras aráveis teriam sido cultivadas sob a supervisão de especialistas húngaros, e então parte da colheita teria sido vendida no mercado africano e as frutas na Hungria.

Questão da terra

Na reunião, os dois líderes deveriam apenas ter acertado o valor exato do contrato. Sabemos que teriam sido iniciadas as negociações sobre as exportações húngaras no valor de 30-40 milhões de euros, ou seja
UMA TRANSAÇÃO DE QUASE 15 MIL MILHÕES DE FORINTS FALHOU.

Compreensivelmente, devido ao montante do negócio, os governos espanhol e português decidiram tomar medidas mais sérias. Angola esteve sob domínio português durante quase 500 anos, até à sua declaração de independência em 1975, mas Espanha, Holanda, Alemanha, Brasil, Estados Unidos e o maior credor do país, a China, também têm fortes laços com o país.

Angola que tem uma longa costa no Atlântico e faz fronteira com a República Democrática do Congo e é importante em vários aspectos. Rico em recursos naturais, 80% de suas exportações são de petróleo, e o sistema autoritário do país é estável, proporcionando um ambiente político atraente para o capital estrangeiro.

Em Angola, as terras agrícolas, assumem uma grande importância estratégica.  O aquecimento global deu início à desertificação da região da África do Sul, em Angola o clima está-se a tornar cada vez mais favorável para o cultivo em terras férteis abundantemente disponíveis e inexploradas. Isso também foi reconhecido em Luanda. O governo não vende a terra, mas celebra contratos de concessão por 30-40 anos para investidores que fornecem projetos de boa qualidade e experiência.

Esta realidade também foi reconhecida pelo KKM-Ministério dos Negócios Estrangeiros. Em 2018, no quadro da estratégia da “abertura a sul”, o nosso país abriu a sua embaixada em Angola, e a viagem fracassada de Viktor Orbán no ano passado foi preparada pessoalmente pelo Ministro Péter Szijjártó, por isso perguntámos ao KKM sobre o assunto, mas
DURANTE UMA SEMANA DE ESPERA, NÃO RESPONDEMOS.

Provavelmente com as nossas perguntas, tocamos em um ponto sensível. Depois de termos reenviado as nossas perguntas, recebemos a resposta, para nos dirigirmos ao Gabinete do Primeiro Ministro. Foi o que nós fizemos e  atualizaremos o nosso artigo se obtivermos resposta.

 

Vide também artigo original em húngaro

https://index.hu/kulfold/2020/11/19/angola_orbanviktor_szijjartopeter_portugalia_eu/

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