Angélica – Azeite que já valeu ouro em Nova Iorque

por Dina Cardoso

No Sul de Portugal, Moura é a terra do azeite. Ao longo dos séculos os olivais da região ganharam fama pela qualidade da sua azeitona.

O azeite Angélica é uma sentida homenagem, em forma de néctar dourado, à avó alentejana Angélica Rosa da Silva. Foi a pensar nela que o neto Gonçalo Rosa da Silva criou este azeite. E regressou às raízes.

“Nos anos quarenta, já viúva do meu avô, Armando, Angélica Rosa da Silva assumiu os destinos da lavoura e de Manantiz, o monte principal situado a dez quilómetros de Moura, onde durante alguns anos viveu e criou os filhos. A produção de azeitona era, na altura, tal como hoje, a riqueza da propriedade. O azeite que aqui se apresenta é uma homenagem à minha avó Angélica a quem devo o gosto pelo campo e pelas tradições do Alentejo“, explica Gonçalo Rosa da Silva.

Estudou, investigou, percebeu a lógica das variedades da oliveira que os antigos tinham estudado e plantado para que, na mistura final, o azeite conseguisse o sabor e a acidez desejados.

Azeitona galega, cordovil, verdeal, que proporção, que tempo de maturação? Sonhou então voltar a fazer azeite. Quando o Gonçalo sonha, se apaixona e envolve num projeto, ninguém o consegue deter. E nos últimos dois anos eu fui ouvindo, a espaços, a evolução desta redobrada paixão: plantar as oliveiras, perceber os tempos da azeitona, procurar a garrafa certa, o lagar que cumpria as exigências. Garantir a colheita no tempo, o transporte, os rótulos, as análises, as provas cegas. Há uns meses, o Gonçalo apareceu-me com uma lindíssima garrafa escura, pose antiga, e um rótulo de design clássico e elegante: “Angélica”. O azeite que ele sonhou. E concretizou.”

Na garrafa juntam-se três variedades de azeitona: a galega, a cordovil e a verdeal, as D.O.P. (denominação de origem protegida) da região de Moura. Uma das mais-valias deste azeite reside na mistura, “as árvores estão plantadas na percentagem certa, sendo a mistura feita na moagem”, explica Gonçalo. O processo desde a apanha da azeitona até à moagem no lagar demora apenas três horas. A acidez (0,1%) deve-se à qualidade do fruto e no sabor sente-se o toque frutado, ligeiramente picante e amargo (duas características positivas do azeite). “É a variedade galega que dá o doce, e a cordovil e a verdeal que dão o picante e o amargo”, descreve. No prato, combina bem com peixes e pastas.

 

Fonte: superduperfresh.wordpress.com

 

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