A semana (A Hét) – Jovens com 0% de IRS para ganhar as eleições de 2022

por András Gellei

Já em janeiro, após o anúncio feito por Viktor Orbán que a partir de 1 de janeiro de 2022, os jovens até aos 25 anos, passariam a estar isentos do pagamento de IRS-Imposto sobre Rendimento de Pessoas Singulares, abordei este assunto, por o considerar potencialmente decisivo para o desfecho final das próximas eleições a realizar na primavera de 2022:

Ganhar o voto jovem e dos novos votantes.

Com a promessa da isenção total do IRS para os jovens, estes não terão que  pagar os 15% do imposto sobre os rendimentos, mas apenas os 18,5% das contribuições para a segurança social.

Em janeiro escrevi que “Viktor Orbán conhece muito bem, como poucos, a realidade atual do país, sabe que que todas as sondagens sérias indicam que a maioria dos jovens novos votantes – calcula-se que sejam entre 370 e 390 mil – estão contra o Fidesz, são assumidamente anti-Fidesz”.

Esta semana o prestigiado (e independente, coisa rara neste nosso país) GKI-Instituto de Investigação Económica, voltou ao assunto, com dados novos e atualizados.

Dados novos e atualizados do GKI

Segundo o GKI, a isenção do IRS para pessoas com menos de 25 anos, com base nos dados sobre o emprego por grupo etário do KSH-Instituto de Estatísticas Húngaro, antes noticiado, iria beneficiar cerca de 280 mil jovens.

Contudo, de acordo com os dados da NAV-Autoridade Tributária Nacional, com base no ano de 2019, esse número é muito superior e serão aproximadamente 460 mil jovens, diretamente beneficiados pela anunciada mudança do regime tributário.

Pelo que se soube, uma das razões para esta grande discrepância, é que uma percentagem muito significativa dos trabalhadores menores de 25 anos são sazonais ou temporários e, portanto, apenas parcialmente incluídos nas estatísticas regulares do KSH.

Com base nos dados da NAV, os menores de 25 anos ganhavam mensalmente em média, bruto 127 mil forints (cerca de 365 euros) e líquido 84 mil (240 euros). Com a introdução da isenção do IRS, os jovens com menos de 25 anos passarão a receber mensalmente, líquido, em média, mais 19 mil forints (55 euros) do que até agora recebiam.

Comparação entre categorias salariais

Para obter uma imagem mais precisa do crescimento esperado dos ganhos dos trabalhadores a tempo inteiro até aos 25 anos, o GKI com base nos dados da NAV, fez um exercício de comparação para: 1) com salário de “trabalhadores públicos”, 2) com salário mínimo, 3) com salário mínimo “garantido”, e 4) com salário médio (limite da isenção do IRS, juntamente com limite 25 anos) ganho líquido:

– 12,2 mil/mês (35 euros( – trabalhadores públicos (Kőzmunkások)

– 24,2 mil /mês (69 euros)  – assalariados com salário mínimo,

– 31,6 mil/mês (90 euros) – para aqueles que ganham o salário mínimo garantido,

– 58,6 mil/mês (168 euros) – com salário médio.

Nem tudo é tão linear como parece

Sabemos que é nos detalhes que se esconde o diabo e nem tudo é tão simples como Orbán e a sua máquina de propaganda querem fazer ver. Vejamos 2-3 exemplos,

Se o empregador, com a introdução deste novo benefício, não quiser criar tensão salarial entre empregados, só pelo facto de um jovem ter menos de 25 anos e o seu colega ao lado ter já feito 25 anos, poderá ter que reduzir o salário bruto daquele que é mais novo, para que os seus ganhos líquidos não aumentem, e neste caso, até pode poupar parte dos custos salariais adicionais.

Outra opção é que os empregadores congelem os salários entre os mais jovens ou reduzam as horas de trabalho para que fiquem com o mesmo salário bruto. Isto pode ser especialmente provável para o caso dos trabalhadores mais vulneráveis.

Uma outra questão é como, uma vez que um trabalhador atinja os 25 anos de idade, como será capaz de compensar a súbita perda de 15% dos seus rendimentos líquidos até então obtidos.

Democracia (iliberal) e ganhar. Ganhar sempre!

Critique-se ou não o populismo eleitoralista de Orbán – bem está a precisar, que com a pandemia e os erros acumulados, ao contrário do que nos habituou, tem dado muitos tiros nos pés – é mais uma jogada para o seu objetivo político de nova vitória eleitoral, da sua reeleição, pela quarta vez, para que, como deseja, se possa perpetuar até a eternidade. Para Orbán democracia (iliberal) é ele ganhar, ganhar sempre!

Sondagens recentes

No entanto as últimas sondagens independentes, continuam a confirmar a vantagem de 4% da oposição se unida sobre o Fidesz. Não é uma diferença muito significativa e os recursos disponíveis nas mãos de Orbán são inesgotáveis, mas é uma situação nova no combate político na Hungria.

Dinheiro conta, compra e dá votos

Finalmente, imagine-se um jovem que em dezembro de 2021 (em janeiro, porque nós somos pagos nos primeiros dias do mês seguinte) recebia 84 mil forints e em fevereiro de 2022 passa a receber 103 mil , e assim sucessivamente até ficar com mais 58,6 mil forints na conta bancária do que antes a pouco mais de 2 meses das eleições…

 

András Gellei, Budapeste, 18 de abril de 2021

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