A Semana (A Hét) – Auf Wiedersehen Herr Orbán! Benvenuto Fratelli Viktor!

por András Gellei

Na Hungria, juntamente com o agravar perigoso e alarmante da situação pandémica, nesta semana, a grande questão política tem sido a ruptura – há muito anunciada – entre o Fidesz de Orbán e o PPE – Partido Popular Europeu, com o anúncio da saída do Fidesz do maior grupo parlamentar do Parlamento Europeu.

Um breve resumo e sucinta opinião do caminho percorrido pelo ”nosso” Viktor – ”nosso” porque não o damos nem trocamos por ninguém, porque ”Viktor só há um, o nosso e mais nenhum”!

Na quarta-feira, após o Partido Popular Europeu (PPE) ter votado – 148 votos contra 28 – a decisão que permite a suspensão dos seus partidos membros, Viktor Orbán enviou uma carta ao Presidente do Grupo PPE, Manfred Weber, declarando a demissão imediata de todos os eurodeputados do Fidesz da facção do partido popular no Parlamento Europeu.

A nova decisão aprovada, permite remover, suspender ou restringir os direitos e privilégios dos grupos partidários nacionais membros do PPE, no caso de ser aprovada por uma maioria de 2/3 dos votos. As consequências de uma suspensão resultam de imediato na eliminação dos direitos de voto, na capacidade de se exprimir nas reuniões do PPE e no impedimento de acesso a importantes lugares no PPE no Parlamento Europeu.

É importante destacar que a decisão do Fidesz de deixar o grupo não tem apenas impacto na sua própria capacidade de influenciar a nível europeu, mas também na efetiva influência, força e estabilidade do Grupo PPE. Não esquecer que com 12 eurodeputados, o Fidesz era um dos maiores partidos da facção PPE no Parlamento Europeu.

Mas vem de longe a ”Via Sacra” de Orbán no, contra o PPE…

…e quem não se sente não é filho de boa gente. Recordemos 2-3 momentos dos últimos 2 anos

  • A campanha nacional de cartazes que revestiu e enfeitou toda a Hungria contra Bruxelas, contra o ”sorista” (Soros-ista) Juncker, Presidente da Comissão e destacado dirigente do PPE (2019)
  • O veto-boicote de Orbán a eleição do bávaro-alemão Manfred Weber para Presidente da Comissão (2019)
  • As declarações do eurodeputado “enfant terrible” de origem judia Tamás Deutsch (depois desfez-se em desculpas e explicações, que foi mal interpretado, não tinha intenção de insultar…) que associou Manfred Weber a Gestapo e a AVH, a versão húngara da KGB (2020).

É caso para dizer, com amigos destes, por favor tragam-me os inimigos…

Como para Orbán e sus muchachos, no PPE são todos, ou quase, de esquerda, liberais-bolcheviques sem pátria, comunistas e idiotas úteis – “coitada”, nem a Senhora Merkel se escapa! -, o anúncio da decisão da saída do grupo parlamentar do PPE, a que se seguirá em breve a saída do próprio PPE, foi festejada com “champanhe e caviar”, pelos principais comentadores do regime – famosos por dizerem aquilo que Orbán pensa mas que este, pelo pouco pudor que ainda lhe resta, por vezes esquece de dizer…

Eis sobre o assunto algumas pérolas da ideologia do orbanismo:

No diário Magyar Nemzet Zsolt Bayer considerou a saída do Fidesz um motivo de celebração. Para ele, o PPE acolheu os valores liberais e de esquerda, em vez de defender os valores europeus inerentes às identidades tradicionais e ao sentimento nacional. Em tempo de crise como a actual “pessoas normais, conservadores, cristãos, nacionalistas, anti-globalistas e partidos nacionais de esquerda têm de cooperar” para parar a globalização, a ideologia progressista do género, a migração e o “plano Soros” apoiado pelos esquerdistas, liberais e pelo próprio PPE.

No Pesti Srácok, Tamás Pilhál concordou que para o Fidesz foi ”uma boa viagem” abandonar o grupo do PPE, que segundo ele, trocou os valores nacionais, cristãos e conservadores por ideias ”liberais extremistas e comunistas internacionais”. Espera que o Fidesz se junte em breve a um dos “verdadeiros grupos parlamentares conservadores que representam as nações da Europa”. Se os partidos patrióticos não se juntarem, os ”idiotas internacionalistas” da esquerda destruirão a UE

Poderíamos continuar, até porque neste momento, o mais importante, é demonstrar, fazer acreditar aos húngaros, que o ”nosso” (deles) grande vezér (líder) conquistou mais uma retumbante vitória, só ao alcance dos maiores génios dos Cárpatos…

Deixamos os comentadores e escolhemos, entre os ministros mais activos – Katalin Novák, Judit Varga, Gergély Gulyás, etc – na defesa do Chefe, as palavras do MNE Péter Szijjártó no Facebook: Era altura de perguntar “quantas horas” Weber passou a adquirir vacinas “ou qualquer outra coisa necessária para proteger a vida, a saúde e o emprego do povo europeu”.

“Milhares de pessoas estão a morrer diariamente na Europa e dezenas de milhares estão a ser infectadas por causa do coronavírus e o povo europeu precisa de vacinas e ventiladores porque são o que salvam vidas”.

No entanto, acrescentou Szijjártó, Weber tem estado ocupado “a organizar a exclusão do partido membro mais bem sucedido do PPE e a pensar em truques burocráticos necessários para o conseguir”. Manfred Weber deveria ter vergonha de si próprio. É bom que já não façamos parte de um grupo parlamentar liderado por alguém como ele”.  Auf Wiedersehen…

E que dizem os ”esquerdalhos” húngaros e europeus?

Apenas uma frase: Que Orbán perdeu a ”guerra”e que não há  futuro para o Fidesz no PPE

Curiosamente, este sábado Markus Söder, Ministro-Presidente da Baviera, e líder da CSU, em entrevista ao Süddeutsche Zeitung, exigiu a saída do Fidesz da do PPE, afirmando que sem zangas, chegou o tempo do Fidesz e o PPE se separarem e seguirem caminhos diferentes. Recorde-se que Söder é um dos melhor posicionados para ser candidato a Chanceler nas eleições gerais de outubro próximo… Outro ”bolcsi-comuna idiota”…

A resposta não se fez esperar, no caso por parte do Ministro-Chefe do Gabinete de Orban, que acusou Söder de renegar o passado do CSU (União Social-Cristã) e recordando que Orbán neste momento é o verdadeiro herdeiro de Franz Josef Strauß, pai da democracia social-cristã…

Há já por aqui muito boa gente disposta a acender uma vela a Szent István (São Estevão), vela como promessa para que não chegue o dia que Viktor Orbán venha a ser ainda mais papista que o papa, o herdeiro autêntico do partido neo-nazi AfD… os mais pessimistas dizem que é tudo uma questão de tempo ou das eleições de 2022.

E agora? Quem deverá vir a ser os novos camaradas europeus de Orbán?

Giorgia Meloni, Matteo Salvini, Marine Le Pen, Geert Wilfers dos Países-Baixos, Alternativa para a Alemanha (AfD), Partido da Liberdade da Áustria, Partido Direito e Justiça da Polónia, Vox de Espanha, Chega de Portugal… Viktor Orbán tem muito mais por onde escolher do que a primeira vista parece…

O Fidesz tem no Parlamento Europeu,

O ID, a família do partido de extrema-direita ”Identidade e Política” (ID), de Salvini da Liga Italiana, com 76 representantes e entre os quais se encontra Marine Le Pen, o AfD, etc. O Fidesz seria o terceiro maior partido deste grupo, depois dos franceses e italianos.

Os eurocéticos – ”Conservadores e Reformistas Europeus” (ECR), do qual o partido polaco Direito e Justiça também é membro e deixou claro que aguarda de braços abertos os representantes húngaros. Ambas as partes, sairiam beneficiadas, porque com o Brexit, o ECR diminuiu para 61 lugares e com os 12 representantes, o Fidesz seria o segundo maior partido da ECR, depois da delegação polaca (27 eurodeputados). Neste grupo está também o partido Fratelli d’Itália (Fd) da mui querida de Viktor Orbán, Giorgia Meloni…

Uma última opinião

A OPA de Orbán ao PPE, falhou. As contas saíram furadas. A saída anunciada da ”mal-amada” Chanceler Merkel (para sermos mais precisos: profundamente odiada pelo imprensa Fidesz) e os novos líderes ”idiotas úteis” alemães, muito provavelmente não auguram nada de muito positivo para o sonhos pan-europeus de liderança de Viktor Orbán.. .sobre as perspectivas da economia húngara versus investimento e mercado alemão (bávaro) falaremos em outro ocasião…

Até lá cuidem-se que a pandemia anda a solta….

 

András Gellei, Budapeste 7 de março de 2021

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