A Semana (A Hét): A Ministra da Justiça e a luta pela libertação do domínio das grandes empresas internacionais donas das redes sociais

por András Gellei

Ponham-se a pau os Zuckerbergs, Dorseys do mundo e companhia, nem sabem com quem estão metidos, de Budapeste a mensagem já seguiu – não durmam sossegados sobre os vossos ”impérios sociais”, muito em breve vão conhecer em pormenor o nome e saber quem é Judit Varga, a Justiceira, a charmosa Ministra da Justiça, a preferida de Orbán, a ”Viktória de saias” da Hungria.

Fiquemos por um instante na principal rede social de Mark Zuckerberg, para sublinhar um facto: o PM Viktor Orbán, o MNE Péter Szijjártó, Judit Varga ou a Ministra da Família Katalin Novák, estão destacadamente, entre os políticos húngaros que na sua actividade documentada, mais e melhor aproveitam o Facebook.

Apesar da utilização diária, com inúmeros posts, há já muito tempo que Judit Varga lançou o primeiro ”grito de guerra contra o seu inimigo de estimação”, acusando o Facebook de limitar propositadamente a sua propagação, curiosamente, tendo recorrido para tal denúncia e acusação, em primeiro lugar, a rede FB.

O que se passou recentemente – recorde-se que pelo menos 12 empresas detentoras de redes sociais decidiram contra a continuidade das publicações Trump nas suas plataformas, caso de FB, Instagram, Twitter, Google, YouTube, TikTok, etc – fez disparar os alarmes no governo em Budapeste.

O caso não é para menos, por um lado, o ex-presidente norte-americano é como se sabe, um dos grandes amigos e companheiros de ideias de Orbán, e por outro lado, até a Judit Justiceira da Justiça da Hungria, no seu ”argumentário-libertário”, destacou a posição tomada por Angela Merkel sobre o assunto – naturalmente condenando a exclusão de Trump e manifestando-se contra que fossem os donos das redes sociais mundiais a decidir sobre a democracia e as liberdades.

Convém não esquecer que um caso em que haja algum ”guerreiro de rua” (palavras) de Orbán a concordar e usar as palavras twittadas da ainda Chanceler alemã, é mais raro do que nevar no Deserto do Saara.

Nos últimos dias Judit Varga tem-se multiplicado em posts no Facebook e entrevistas nos mídia pró-Fidesz, caso por exemplo, do diário Magyar Nemzet, um dos melhores exemplos de ”liberdade, tolerância e diversidade” na Hungria de Orbán, sobre os combates que se aproximam contra o império das multinacionais donas das redes sociais mundiais, indicando o caminho para a vitória e deixando claro de que na Hungria mandam os húngaros. (Uma versão magyar do que os portugueses dizem ”para cá do Marão, mandam os que cá estão”).

De seguida transcrevo alguns excertos (nos post do FB podem também ser lidos em inglês)

”Vamos começar

Depois de consultar os líderes das instituições estatais envolvidas, o Ministério da Justiça irá propor ao Parlamento esta Primavera uma lei sobre a regulamentação da operação na Hungria das grandes empresas de tecnologia, detentoras das redes sociais.

Não queremos alcançar mais contra as grandes empresas tecnológicas do que fazer uma operação legal, transparente e controlável. Nada mais do que o que se aplica também a outras empresas.

Continuamos a cooperar com a UE na preparação de regulamentos semelhantes, mas acontecimentos recentes mostraram que precisamos de agir mais rapidamente para defender as pessoas.

Hoje em dia, todos podem ser desligados arbitrariamente do espaço online sem qualquer procedimento oficial, transparente e justo e sem qualquer recurso legal.

Podem também desligar padeiros, cabeleireiros, pensionistas, professores, pequenas e médias empresas e líderes estatais.

Os danos digitais deliberados, ideológicos ou motivados por negócios já não podem acontecer sem consequências na Hungria!

A liberdade nunca é dada voluntariamente. Agora também precisamos de lutar pela liberdade digital!

Avante Hungria!”

Não há a mínima dúvida:  A viktória é difícil mas é dela…

Aqui n’A Semana, voltaremos certamente ao assunto que promete vários capítulos, uma telenovela com um segue-se o próximo episódio…

András Gellei, Budapeste, 31 janeiro de 2021

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