A Minha Terra dos Sonhos – Lina Santana Chilra

por LMn

Cheguei a Budapeste no ano 2000 com o Programa Erasmus para terminar os meus estudos em Turismo. Só tinha que fazer a minha tese na universidade KVIF. Inicialmente deveria ter ficado um semestre apenas, mas gostei tanto de Budapeste que pedi para ficar um semestre mais. Durante esse tempo tive aulas de húngaro básico e comecei à procura de trabalho.

Inicialmente trabalhei uns meses como hospedeira nos barcos do Danúbio (somente em Budapeste) e em junho de 2001 comecei a trabalhar para uma empresa israelita de joias e diamantes (Caprice International KFT) em Szentendre, como guia de turismo e vendedora. Trabalhei aí até voltar para Portugal em dezembro de 2001.

Estive em Portugal seis meses, mas não consegui adaptar-me à vida portuguesa, fazia-me falta a vida de Budapeste e os meus amigos. Em junho de 2002 fui de férias a Budapeste para rever os amigos e o meu antigo chefe da Caprice pediu-me para voltar e ofereceu-me melhores condições económicas. Então em julho de 2002 voltei a Budapeste, uma vez mais com a mala cheia de ilusões. Trabalhei na Caprice até dezembro de 2003, quando senti que precisava de começar a fazer uma carreira e comecei a procurar trabalho em empresas multinacionais.

Em janeiro de 2004 fui contratada na IBM Hungary KFT e aí fiquei até setembro de 2011. Tive várias funções dentro do departamento de Compras, sendo a última, Gerente de Compras.

Entretanto conheci um húngaro por quem me apaixonei em agosto de 2003 e em julho de 2006 casámo-nos na Hungria e em setembro desse mesmo ano fizemos a cerimónia em Portugal.

Em setembro de 2011 senti que queria trabalhar para uma causa maior, que queria contribuir para melhorar o mundo e consegui um trabalho na ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) em Budapeste. Fui trabalhar para uma função de compras, pela metade do dinheiro que recebia na IBM, para uma função mais baixa, mas não me importei, o dinheiro não é tudo e eu queria mesmo trabalhar numa organização humanitária.

Em 2013 a minha vida deu uma reviravolta, divorciei-me do meu esposo húngaro e recebi uma proposta de trabalho na Costa Rica, de uma empresa privada para gerir a empresa (SouthBound Dreams). Não hesitei, era a mudança que precisava na minha vida. Com muitas lágrimas deixei Budapeste depois de 13 anos e fui viver para a Costa Rica.

Cheguei à Costa Rica em abril de 2013 e trabalhei no desenvolvimento de uma propriedade mas, apesar de estar no paraíso, não era a minha área de trabalho e sentia saudades da Hungria. Passei oito meses na Costa Rica, a viver na zona do Pacifico Sul (Uvita de Osa), que era realmente o paraíso na terra, e aí conheci o que até hoje é meu namorado.

Em dezembro de 2013 voltei a Budapeste e, por coincidência, a posição que eu tinha deixado na ACNUR, voltou a ser posta a concurso e em março de 2014. Voltei a trabalhar na ACNUR. O meu namorado da Costa Rica veio viver para Budapeste em julho de 2014 e em Junho de 2015 o nosso filho Tiago nasceu em Budapeste.

Todos estes anos na ACNUR trabalhei sempre como parte do pessoal local por ter residência húngara, mas em 2018 comecei a sentir vontade de crescer na carreira e para isso teria que concorrer a posições internacionais. Em novembro de 2018 fui enviada em missão de emergência a Lima, Peru e enquanto estava lá, concorri à posição internacional de Associado Oficial de Compras em Lima e escolheram-me a mim. Hoje sou responsável de todas as compras e logística da ACNUR no Peru, tendo uma equipa de quatro pessoas.

Eu considero Budapeste a minha primeira casa, pois passei a maior parte da minha vida adulta nessa cidade e aí nasceu o meu filho. O meu namorado também adora Budapeste e diz sempre que sente mais saudades de Budapeste que da Costa Rica.

Budapeste continua no meu coração e tento voltar todos os anos para matar saudades e sigo com a esperança de num futuro voltar para esta cidade numa posição internacional dentro da ACNUR.

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