A lógica da batata!

por Fernando Lopes

Por Fernando Lopes

A lógica da batata – a burgonya (krumpli) logikája – apesar de frequentemente usada pelos portugueses, é mesmo uma expressão que parece não ter lógica nenhuma, a não ser se cozida, frita ou assada e aí, em sabores, ganha, poderemos dizer, a forma apetitosa da lógica da barriga, da batata comida. Eu sei, para um húngaro é um ditado que nada lhe diz..

Mas como estamos a discorrer sobre batatas, atenção que não se diz: ”pisar batatas” como se diz ”pisar ovos” – tojásokat taposni -, que significa quando se vai ou se faz tudo muito muito devagar. Talvez por isso, por ser quase hora de almoço, me ocorreu o Poeta Kányádi Sándor e o seu poema de paladar popular “Krumplis mese”: Volt egy szegényember/ meg a felesége./ Krumplit ettek minden / áldott nap ebédre….- Kányádi Sándor: “O conto da batata” Havia um homem pobre/ e a sua mulher./ Eles comeram batatas todo/ abençoado dia para o almoço”… –

Quem certamente não andava a pisar nem ovos nem batatas, nem mesmo uvas no lagar, era o ladrão de bicicletas – Ladri di Biciclette – um filme italiano, maravilhoso e comovente, realizado por Vittorio de Sica em 1954. O ladrão era rápido, mas nem com a ajuda do filho, conseguiu evitar a prisão. As voltas que o mundo dá! Lembrei-me deste filme, porque o meu amigo Karci, um dia, ali para os lados do Balaton, para se meter com o meu filho ainda muito pequeno, inventou que ele era “a krumplitolvaj” – ladrão de batatas.”

Moral da história, “A lógica da batata” é uma expressão que quer dizer que não tem sentido, que é estranho ou absurdo, talvez um pouco como usar o provérbio húngaro “Bagoly mondja verébnek, hogy nagyfejű” – É a coruja que diz ao pardal que ele é cabeçudo!

A batata, ela mesmo, veio de barco, da América Latina para a Europa e antes de se ter tornado o que é hoje, foi muito mais coisas, quase todas elas lógicas, mesmo plantada e apanhada entre lendas e narrativas… Com o tempo, dizia eu, tornou-se uma das bases da nossa alimentação e como Kányádi Sándor, outros a escreveram e a pintaram, como foi o caso de Vincent van Gogh e os “Comedores de batatas”.  A batata é tão importante que até já tivemos o “Ano Internacional da Batata”, já lá vão mais de uma dúzia de anos.

Finalmente, e para concluir, até há quem diga que comer batatas faz os olhos bonitos… Não sei se não estão a trocar batatas por cenouras, mas seja como for, batata ou cenoura,  agora está mesmo a apetecer uma batata doce  – batáta vagy édesburgonya – ainda morninha….

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