A Hungria a estudar Português

por João Miguel Henriques

O novo ano lectivo está aí à porta, com o início das aulas agendado para esta segunda-feira, dia 7 de Setembro, um pouco por todas as instituições de ensino secundário e superior na Hungria. No primeiro dia do mês, uma inesperada frente fria, daquelas que ainda nos continuam surpreender passados já tantos anos de existência continental, invadiu o país para nos assegurar que o Verão já lá vai e é tempo de regressar realmente ao trabalho. No caso do Centro de Língua Portuguesa do Instituto Camões em Budapeste, uma parte importante desse trabalho passa por apoiar o ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa um pouco por todo o país, procurando o mais possível assegurar a docentes e estudantes as condições de trabalho necessárias, em colaboração com as várias instituições de ensino onde o Português está presente e com as quais o Instituto Camões celebrou importantes protocolos de cooperação, recentemente renovados por novo período de três anos.

Húngaros e portugueses menos familiarizados com o trabalho do Instituto Camões neste campo ficam sempre surpreendidos quando informamos que o universo de estudantes húngaros de Língua Portuguesa em liceus e universidades ronda invariavelmente os 350 ou 400. Estamos a falar de sete universidades e oito liceus, não contando naturalmente com outros muitos estudantes da nossa língua inscritos em escolas de línguas ou a estudar com professores particulares.

Em Budapeste, a Universidade Eötvös Loránd conta com o único Departamento autónomo de Língua e Literatura Portuguesa do país, abrangendo todos os graus de ensino superior, como já aqui deu conta a sua Directora, a Prof. Ildikó Szijj. Além disso, na capital húngara, também têm lugar Cursos de Língua Portuguesa na Universidade de Estudos Económicos (BGE), na Universidade Károli Gáspár e na Universidade Corvinus, sendo que nestas duas últimas logrou-se abrir os cursos à inscrição livre de qualquer pessoa interessada, mesmo não sendo estudante universitária, alargando assim consideravelmente o alcance dos cursos. Mas o interesse pelo Português estende-se igualmente por outros cantos do território húngaro. Assim sendo, também nas Universidades de Debrecen, Pécs e Szeged os estudantes têm a oportunidade de aprender Português enquanto curso opcional. Em todas as mencionadas instituições o Instituto Camões apoia a docência da nossa língua, mediante protocolos de cooperação, contemplando apoio à docência.

Ao nível do ensino secundário, destacam-se dois liceus, nos quais o Português tem já uma tradição considerável e cujos estudantes, em número elevado, chegam ao final dos seus estudos em condições de realizar o exame de maturidade em Língua Portuguesa. Falamos dos Liceus Tamási Áron e Károly Mihály de Budapeste, cujo incansável corpo docente tem desenvolvido ao longo dos anos um notável trabalho. As estes junta-se o Liceu Leövey Klára, também na capital húngara, onde o Português já leva bastantes anos de implantação. Recentemente, na linha dos objectivos de promoção Língua Portuguesa a que o Instituto Camões se propõe, procurou-se lançar as bases da disciplina de Português noutros liceus, com a celebração de novos protocolos de cooperação e a criação de cursos de opção livre, os quais, apesar do interesse dos alunos, acabam sempre por ser ver obrigados a competir com a enorme carga de aulas e afazeres que um estudante húngaro de liceu normalmente tem. Ainda assim, graças ao entusiasmo de professores e alunos, desenvolve-se o Português nos liceus Bornemisza Péter, Kölcsey Ferenc e Leövey Klára, este último na cidade de Pécs. Sem qualquer protocolo celebrado com o Instituto Camões, sabemos existirem ainda turmas de Português noutros dois liceus de Budapeste, a saber, no Liceu Petőfi Sándor e no Liceu Apáczai Csere János.

Fica assim dado o panorama geral da presença da língua de Camões na Hungria, presença essa que naturalmente vai muito além do ensino e aprendizagem da língua, mas que encontrará seguramente na aprendizagem e no trabalho diário de todos os docentes e alunos as bases para o futuro das relações entre a Hungria e o espaço lusófono, a todos os níveis. Penso que não caberá aqui fazer a promoção do Português, embora muitas vezes, e noutros contextos, seja necessário fazê-lo, especialmente se tivermos realisticamente em consideração a maior influência e popularidade de outras línguas estrangeiras neste país. Pensou-se um dia na frase promocional: Português, o teu melhor plano B. Não funcionou. Penso que a nossa língua tem tudo para ser a primeira e natural opção para quem, através de um único idioma, ambiciona ter acesso a um espaço geográfico e cultural tão vasto e heterogéno como é o lusófono. Poucas línguas o permitem, e assim fica afinal feita uma possível promoção, passível de ser reforçada por todos os números e estatísticas que as nossas instituições, com o Instituto Camões à cabeça, fazem questão de sublinhar.

Aos docentes que connosco continuam nesta missão, ficam aqui os votos de um ano letivo pleno de sucessos, independentemente

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