A comercialização (exportação) do vinho português (Parte III)

por Joaquim Pimpão

Como nem apenas de “prazer” vive o homem, é necessário trabalhar, cultivar, vindimar, produzir e comercializar, porque o bom vinho é feito para ser bebido, quer seja no país onde é produzido, quer no estrangeiro, através a sua comercialização.

A exportação mais “moderna” do vinho portugués desenvolveu-se com o comércio para o Reino Unido, após a assinatura do Tratado de Methuen, também referido como Tratado dos Panos e Vinhos, assinado entre a Grã-Bretanha e Portugal, em 27 dezembro de 1703, segundo o qual Portugal comprometia-se a consumir os têxteis britânicos e, em contrapartida, os britânicos a comprar os vinhos portugueses. Se esta apresentacão fosse na Universidade de Economia, aqui teria que parar, para falar sobre “A Teoria das Vantagens Comparativas do Comércio Internacional, de Adam Smith e David Ricardo.

É após a assinatura do Tratado de Methwen que o Marquês do Pombal se decide pela criação da primeira região demarcada do mundo, a do Douro, com o objectivo de disciplinar as práticas na produção e comercialização do vinho do Porto, já de grande importancia para a economia portuguesa.

Eu sei que estou no único país do mundo que discute vigorosamente este facto da Região Vinhateira do Douro, pois a Hungria é também a terra do Vinho Tokaji, que se considera ser ela a primeira região demarcada na história do vinho. A minha proposta é não vamos discutir, aqui e agora, a primazia histórica, mas sim, satisfeitos, constatarmos que ambos são vinhos excelentes, que ambas as regiões estão classificadas pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade e que há uma colaboração estreita e activa entre as duas entidades responsáveis dos dois países.

Por falar em comercialização e consumo nacional, gostaria de citar um slogan de 1935: “Beber vinho é dar pão a 1 milhão de portugueses” (do livro “Frases que fizeram a história de Portugal – Ferreira Fernandes e João Ferreira). Um slogan espalhado pelas paredes exteriores do Portugal de Salazar. Um curioso apelo ao “vício público” protegido pelo Estado Novo. Era, seja qual for a interpretação politico-filosófica, o reconhecimento da importancia da vinha e do vinho na estrutura social e politica do Portugal de então.

Não será bem anedota, mas possivelmente em Portugal não há quem não conheça a expressão do pai para o filho “Ó rapaz! Tens aqui o dinheiro, vai lá à loja e compra 1 kg de pão e 5 litros de vinho”- repito “Beber vinho era dar pão a 1 milhão de portugueses”….

 

O VINHO RIMA COM BACALHAU

SOBRE OS VINHOS E A GASTRONOMIA PORTUGUESA. ALGUMA POESIA E OUTRAS HISTÓRIAS.

Com o vinho e o bacalhau histórias, lendas e poesia, literatura e gastronomia, estou a correr o risco que isto ainda acabe tudo numa grande caldeirada, mas como “quem não arrisca não petisca” e uma caldeirada no final da minha apresentação não viria nada mal… Este extenso artigo é composto de 12 pontos que no LusoMagyar News serão publicados separadamente.

    1. Vinho – histórias e lendas contadas e degustadas à mesa
    2. O Vinho “radica-se” em Portugal. Os primórdios (e evolução) do vinho em Portugal (Parte II)
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