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Viktor Orbán faz discurso sobre o Estado da Nação a 18 de Fevereiro

O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán fará o seu discurso anual sobre o Estado da Nação no dia 18 de fevereiro, confirmou o seu chefe de imprensa ao Origo.

De acordo com o site de notícias, espera-se que o primeiro-ministro apresente os seus pensamentos e planos atuais sobre como o governo pode proteger a Hungria na “era dos perigos”, referindo-se a um termo que Viktor Orbán e o seu governo utilizam frequentemente em relação à guerra na Ucrânia, e às crises económicas e energéticas.

O que vos posso dizer é que este tem sido provavelmente o ano mais difícil na Hungria desde a queda do comunismo – certamente até onde a minha memória me serve. Todo o continente europeu – e a Hungria dentro dele – entrou numa nova era, uma era de perigos, e isto marcou-o como um ano extremamente difícil para os húngaros,”

Orbán disse ao diário Magyar Nemzet em dezembro.

Segundo o primeiro-ministro, a Hungria apoia a Ucrânia, mas não tem interesse em renunciar a todas as suas relações económicas com a Rússia.

No ano passado, o primeiro-ministro realizou o seu discurso anual a 12 de fevereiro, duas semanas antes de a Rússia invadir a Ucrânia. Parte do seu discurso centrou-se nas próximas eleições gerais na Hungria, mas também alertou para as instabilidades na região. “Os interesses da Hungria são claros: em primeiro lugar e acima de tudo, a guerra deve ser evitada. Isto é ditado não só pela humanidade, mas também pelos interesses húngaros”, disse ele.

O diretor político do primeiro-ministro, Balázs Orbán, publicou no início deste mês um artigo sobre a estratégia do governo húngaro para a próxima década. De acordo com Balázs Orbán, a estratégia húngara deve abordar os seguintes problemas:

  • evitar tornar-se uma periferia de um grande bloco internacional
  • evitar o retorno das anomalias do antigo modelo de comércio livre baseado em processos de mercado espontâneos
  • abordar a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento
  • conseguir a adesão da Hungria ao grupo de países economicamente desenvolvidos.
  • Entre as soluções concretas, o director político deu alguns exemplos:
  • aumentar ainda mais o nível já recorde de investimento estrangeiro em capital de exploração no domínio da energia, desenvolver mais ligações com os principais pontos de distribuição no mundo e na região em geral
  • reforçar ainda mais a cooperação regional
  • tornar o setor bancário húngaro um ator regional e global
  • utilizar a reestruturação do ensino superior – já em curso – para facilitar a transferência de conhecimentos para a indústria e centros de investigação distantes
  • reforçar a presença da Hungria na arena internacional, nomeadamente através da diplomacia pública
  • reforço das indústrias da defesa, TIC, alimentar, farmacêutica e automóvel.

O país precisa de se tornar uma potência média regional, escreve Balázs Orbán, o director político do primeiro-ministro. Continuar a ler

 

Foto em destaque via Miniszterelnöki Sajtóiroda/Benko Vivien Cher

Fonte: HungaryToday




Caretos de Podence saem à rua com visita anunciada do Presidente da República

Os Caretos de Podence saem este ano à rua sem restrições e mais uma vez com a presença do Presidente da República, anunciada para a véspera do início do Entrudo Chocalheiro Património da Humanidade.

O autoproclamado “Carnaval mais genuíno de Portugal” dura quatro dias, de 18 a 21 de fevereiro, mas a festa começa na véspera, a 17 de fevereiro, com a visita do Presidente da Republico, como disse hoje à Lusa António Carneiro, presidente da Associação dos caretos de Podence.

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa esteve em Podence em 2020, logo depois de o Entrudo Chocalheiro da aldeia de Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança, ter sido classificado como Património Cultural Imaterial da Humanidade por parte da UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.

Segundo António Carneiro, o presidente da República volta a Podence “para cumprir a promessa de fazer a inauguração do mural” com a figura de Marcelo Rebelo de Sousa naquela que quer ser “a aldeia mais colorida de Portugal”, com vários murais espalhados pela localidade.

O chefe de Estado esteve em Podence menos de um mês antes do primeiro confinamento devido à pandemia covid-19 e voltará no ano em que o Entrudo Chocalheiro “regressa à normalidade” sem restrições sanitárias, na aldeia com menos de 200 habitantes.

“Manter aquilo que é o tradicional, acima de tudo” é o propósito da organização que salienta “a responsabilidade junto da UNESCO da classificação” que obriga a “manter a matriz” desta festa.

Os Caretos, com o colorido dos fatos amarelos, vermelhos e verdes, máscaras de lata, chocalhos à cintura e um pau são os protagonistas desta festa e a principal atração no dia de Carnaval, com o desfile pelas ruas da aldeia.

Nos restantes dias, também estão presentes, nomeadamente nas várias atividades ao ar livre programadas, como caminhadas, passeios de barco na albufeira do Azibo, o local de veraneio mais procurado do Nordeste Transmontano, na animação de rua ou nas tabernas da aldeia com a gastronomia local.

António Carneiro não arrisca um número de visitantes esperados, mas afiança que “não só no concelho de Macedo de Cavaleiros, mas em toda a região de Trás-os-Montes, o alojamento e a restauração estão completamente lotados nos quatro dias do evento”.

Na aldeia continuam a faltar infraestruturas para acolher a enchente de visitantes e o presidente da Associação dos Caretos de Podence continua a reclamar do poder político local investimento.

“O poder político tem que ver esta festa de outra forma para que as coisas sejam ainda mais uma referencia a nível nacional e internacional”, considerou.

Uma pretensão local que António Carneiro diz que “está fora de questão” é Podence ficar com o pavilhão de Portugal que esteve na Expo Dubai.

“Porque os custos com a desmontagem são incomportáveis”, disse.

Firme continua a ambição de construir o Museu dos Caretos de Trás-os-Montes e o presidente da Associação avançou que “já há projeto”, que vai ser apresentado ao presidente da República.

Os mais emblemáticos mascarados das tradições transmontanas têm representado Portugal em eventos internacionais com presença em vários países.

Já foram distinguidos pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM) com a emissão de uma moeda da “Etnografia Portuguesa” e este ano são as figuras das taludas da lotaria nacional.

Inspiraram vários documentários, o mais antigo dos quais de 1976, da autoria de Noémia Delgado, com o título “Máscaras” e canções como “Olhem os Caretos” da banda portuguesa Quinta do Bill.

Neste Entrudo Chocalheiro, dias 19 de fevereiro, será apresentado um jogo para consolas em que os protagonistas são os “facanitos”, como são chamadas as crianças que se vestem de Careto.

HFI // MSP




Cabo Verde volta a receber fórum internacional sobre escassez de água na agricultura

Cabo Verde vai receber esta semana, e pela segunda vez, o Fórum Internacional sobre Escassez de Água na Agricultura (WASAG), que vai reunir na cidade da Praia perto de três centenas de especialistas internacionais.

Sob o lema “Tornar a agricultura resiliente para as mudanças climáticas, escassez de água, uma oportunidade para ação e colaboração”, o II Fórum Internacional WASAG vai decorrer na cidade da Praia entre 07 e 10 de fevereiro, depois de o país ter recebido o mesmo evento em 2019.

Durante os quatro dias, são esperados aproximadamente três centenas de especialistas internacionais, profissionais e ativistas nacionais para debater os desafios para a agricultura resiliente no contexto das alterações climáticas globais.

“O segundo fórum visa, entre outros, mobilizar compromissos políticos para acelerar as ações estratégicas, incluindo as políticas públicas e investimentos necessários para enfrentar a escassez de água na agricultura, formular mensagens assertivas sobre a escassez de água na agricultura nos principais eventos internacionais”, conforme uma nota da organização.

Também pretende proporcionar espaços de reflexões e contribuições para a avaliação a meio percurso do estágio de implementação dos Objetivos da Década Internacional para a Ação (2018–2028), na Conferência Mundial sobre a Água das Nações Unidas, em março de 2023, e discutir as formas de tornar mais efetiva e impactante as parcerias para a implementação da nova Estratégia de Ação do WASAG no período 2021–2024.

A cerimónia oficial de abertura vai ser presidida pelo primeiro-ministro de Cabo Verde, Ulisses Correia e Silva, enquanto o encerramento vai ser copresidido pelo presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, e pela diretora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a cabo-verdiana Maria Helena Semedo.

Após ser designado novamente para receber o fórum, a organização informou que estão a decorrer negociações com vista a possibilidade de a cidade da Praia vir a ser declarada a “Cidade Capital Mundial do WASAG”.

O Quadro Global sobre a Escassez de Água na Agricultura (WASAG, na sigla em inglês) foi criado em 2017 pela FAO e reúne mais de 60 parceiros, incluindo governos e organizações intergovernamentais, agências da ONU, instituições académicas e de pesquisa, e organizações da sociedade civil e do setor privado de todo o mundo.

Todos estão “comprometidos em identificar e implementar respostas concretas para abordar em conjunto a escassez de água na agricultura, num mundo onde as alterações climáticas são uma preocupação”, refere a organização.

O primeiro fórum, que aconteceu em março de 2019, também na Praia, reuniu mais de três centenas e meia de especialistas em agricultura, economia, finanças, recursos hídricos, climatologia, desertificação, académicos, cientistas e ativistas ambientais de 48 países e representantes de conceituados centros de pesquisas e universidades da Europa, Ásia, África e Américas.

Na declaração final do primeiro evento, os participantes comprometeram-se a incentivar tecnologias inovadoras adaptadas às condições locais, incluindo as que diminuem perdas e permitem reutilizar águas residuais tratadas.

RIPE // LFS




Residência Literária Lisboa/Maputo 2023

A Câmara Municipal de Lisboa e o Camões – Centro Cultural Português em Maputo selecionam um(a) autor(a) de língua portuguesa para a residência literária em Maputo, Moçambique. A residência tem a duração de um mês e realiza-se de 1 a 31 de outubro de 2023.

As candidaturas deverão ser submetidas através da LAAR – Plataforma de Residências Artísticas, de 1 a 28 de fevereiro.

As propostas serão selecionadas em função do seu interesse cultural, coerência com o percurso do candidato e exequibilidade do projeto em função do tempo do programa. Será também avaliado em que medida a residência poderá ter um impacto para a atividade criativa do candidato, bem assim como a relação da proposta com a cidade de Maputo.

Este programa de intercâmbio artístico decorre da cooperação entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Instituto Camões I.P., através dos seus Centros Culturais Portugueses, com vista à realização de projetos culturais no âmbito de residências artísticas, em Lisboa e no estrangeiro, visando o objetivo comum de potenciar o desenvolvimento de projetos artísticos colaborativos entre criadores portugueses e estrangeiros.

Para esclarecimentos, contactar a Direção Municipal de Cultura/Divisão de Ação Cultural: laar@cm-lisboa.pt |  (+351) 218 170 900.




Estrelas mundiais chegam ao Ritmo de Budapeste em Abril

Muitas estrelas da cena musical mundial, tais como Tamikrest, Emilíana Torrini & The Colorist Orchestra ou Mazaher, atuarão n Ritmo de Budapeste deste ano, de 12 a 15 de Abril.

O concerto de abertura da Ritmo de Budapeste, a 12 de abril, dia zero das Semanas Internacionais de Arte Bartók, promete ser uma experiência musical e espiritual especial: na quarta-feira, após a atuação de Tariqa, Mazaher, que preza a herança egípcia desaparecida, atuará na Casa da Música Húngara.

O festival continua na quinta-feira 13 de abril com um dia de exibição. O espetáculo deste ano contará com as canções lúdicas da Transilvânia Koszika, Zarina Prvasevda, uma tradição vocal macedónia, Jazzanitza, um grupo de etno-jazz búlgaro, e três grupos húngaros: BudaPesme, evocando cafés balcânicos, Ephemere, um grupo transformador de chanson, e Amaro Duha, um grupo da tradição cigana de Oláh. Um júri internacional selecionou as produções da Europa Central e Oriental que darão o primeiro passo no caminho para uma carreira no estrangeiro.

O programa de apresentação de Budapeste Ritmo é apoiado pela primeira plataforma de apresentação de música mundial europeia liderada pela Hungria, o projeto Upbeat da plataforma Creative Europe, e os concertos são gratuitos em Szimpla Kert no dia 13 de Abril.

Os concertos terão lugar a 14-15 de abril no Akvárium Klub e Erzsébet tér. Na sexta-feira, Emilíana Torrini & The Colorist Orchestra vai conduzir-nos ao seu mundo especial com o seu último álbum Racing the Storm, que apresenta um som cinematográfico, magia do amor e uma boa dose de pop.

O Tuareg Tamikrest acolherá o público com a sua música psicadélica e posição política arrojada, enquanto que a uma sala de concertos, um artista ucraniano e um polaco, Daga e Dana, também conhecido por DAGADANA, subirão ao palco com uma mistura de música mundial de jazz, funk, canções folclóricas e electrónica. Para concluir o espetáculo, Dj Koulla P. Katsikoronou & Dj Kraaaouuu dar-lhe-ão uma amostra da cena da festa cipriota.

No sábado 15 de Abril, o Monsieur Doumani & Óperentzia de Chipre e a Estação Fanfara de Itália trarão as batidas de dança. A estação Fanfara, por exemplo, é uma banda de latão que encontra instrumentos rítmicos e electro. Corina Sîrghi e a sua banda evocam a vida nocturna escaldante de Bucareste dos anos 20-30, Vocal Sampling traz clássicos cubanos e êxitos rock, enquanto Magalí Sare e Manel Fortiá apresentam o jazz catalão moderno com baixo e vocais, e uma fusão de músicas espanholas e latino-americanas.

A secção de filmes musicais, que estreou no ano passado, vai continuar com uma série de documentários especiais. Taarka, o primeiro filme do mundo em língua Sethi, será exibido, e As Vozes Femininas do Irão dará uma visão da vida das cantoras que fizeram ouvir as suas vozes face à opressão. O conjunto Klapa Osjak não actuará apenas no festival, os mestres da tradição vocal polifónica da Dalmácia estrelarão num episódio da série documental sobre Klapa, intitulada “The Melodies We Are”.

Na secção húngara, o filme de Ábel Regős sobre Veronika Szász será estreado, o filme do Uljana Quartet para a competição cinematográfica de Budapeste Ritmo será novamente exibido, realizado por Anna Korom e Flóra Fecske, e o outro vencedor da competição do ano passado, Deva, será exibido.

A conferência profissional de Budapeste Ritmo de dois dias explorará temas como a opressão, a guerra, a solidariedade e o poder da música em relação a estes.




Barcelos – Um mundo de criatividade sustentável a descobrir

Uma cidade feliz, criativa, segura e de clima temperado, localizada no Norte litoral de Portugal, entre as cidades de Braga e do Porto.

Barcelos é a terra-mãe do símbolo de Portugal no mundo – o Galo de Barcelos. Uma cidade feliz, criativa, segura e de clima temperado, localizada no Norte litoral de Portugal, entre as cidades de Braga e do Porto. Lembra um jardim entre o mar e a serra.

Visitar Barcelos é sentir a hospitalidade singular das suas gentes, percorrer experiências num território vivo e dinâmico, descansar em alojamentos de excelência, degustar a gastronomia e os vinhos verdes.

Cidade Criativa da UNESCO, na categoria do Artesanato e Arte Popular, desde 2017, é um território em que a criatividade é um argumento de desenvolvimento sustentável, facto que em 2019 lhe valeu o Prémio Europeu de Destino de Turismo Cultural Sustentável, promovido pela European Cultural Tourism Network. A cidade repete esta distinção em 2021, em virtude do trabalho desenvolvido no contexto dos Caminhos de Santiago.

Os 7 Prazeres da Gastronomia são motivo forte para justificar a viagem até Barcelos, mas aqui a experiência completa-se com o extenso património histórico e cultural, o turismo de natureza, o ecoturismo, e o envolvimento com as tradições, o folclore e as festas, as feiras e romarias deste território, onde se destaca a emblemática Festa das Cruzes, no início de maio.

No artesanato e na arte popular, os atrativos espalham-se pelo concelho com as rotas de artesanato a abrir as portas da comunidade criativa nos domínios da Olaria, do Figurado, do Bordado de Crivo, da Cestaria, do Ferro, da Madeira, do Artesanato Contemporâneo, num convite para experienciar a tradição.

É daqui que sai, das mais experientes mãos dos artesãos, um mundo criativo habitado não só pelo Galo de Barcelos, mas pelas mais enigmáticas figuras como: mochos, diabos, santos, gigantonas, o mundo maravilhoso. O artesanato de Barcelos é um polo criativo de excelência.

Muito mais que um destino. Um mundo de criatividade a descobrir.

Original Aqui




Visita dos reis de Espanha a Angola reforça aproximação em termos institucionais

Angola e Espanha mantêm uma relação cada vez próxima em termos político-diplomáticos e económicos, que a visita dos monarcas espanhóis vem reforçar em termos institucionais e que pode tender a subalternizar o papel de Portugal.

A análise é do Investigador do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL(CEI-IUL) Eugénio Costa Almeida, a propósito da visita a Angola dos reis de Espanha, Filipe VI e Letizia, a partir de segunda-feira, na sua primeira deslocação a um país da África subsaariana.

“Houve sempre uma aproximação grande entre Espanha e Angola”, disse o analista, lembrando a permanência de José Eduardo dos Santos, o presidente angolano falecido em julho do ano passado, em Barcelona, onde passou os seus últimos anos de vida.

José Eduardo dos Santos, que presidiu aos destinos de Angola durante quase 40 anos, morreu aos 79 anos em Espanha, para onde se mudou em 2019, afastando-se do regime angolano e do seu sucessor, João Lourenço, que elegeu os seus filhos e colaboradores mais próximos como alvos do combate à corrupção.

Madrid e Luanda têm estreitado relações nos últimos anos, em termos diplomáticos, com visitas ao mais alto nível: João Lourenço, eleito presidente em 2017, visitou nesse mesmo ano Espanha, ainda na qualidade de ministro da Defesa Nacional, e repetiu a passagem pelo país, já como chefe do executivo, em 2021, ano em que recebeu também o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez em Angola.

“Esta visita também terá essa função de afirmar institucionalmente, diplomaticamente, a boa relação que existe entre o reino de Espanha e a República de Angola”, sublinhou o investigador.

Mas também no plano económico e políticos a aproximação é evidente.

É um espanhol que lidera atualmente a companhia de bandeira angolana TAAG, foi uma empresa espanhola que foi escolhida para assegurar a logística eleitoral das eleições do ano passado (apesar da contestação da oposição), e foi em Espanha que se disputou o corpo de José Eduardo dos Santos.

A morte do antigo Presidente, em vésperas das eleições de 2022, levou a uma ofensiva diplomática angolana em grande escala, na sequência dos processos judiciais interpostos pelas mediáticas filhas mais velhas do antigo presidente, Isabel e Tchizé dos Santos, que recorreram aos tribunais para tentar travar a trasladação do corpo para Angola como pretendia a viúva e mãe dos três filhos mais novos, Ana Paula dos Santos, apoiada pelo governo de João Lourenço.

A disputa não durou muito e Luanda venceu o braço de ferro, recebendo, a 20 de agosto, quatro dias antes das eleições, a urna com o corpo que seria sepultado a 28 de agosto, num funeral de Estado, a contento do regime angolano, mas com escassa participação popular nas cerimónias fúnebres.

“Tudo isto tem impacto. Os bons e cordiais atos merecem agradecimento”, comentou o especialista em relações internacionais.

“Não somos ingénuos ao ponto de pensar que não tenha havido uma pressão diplomática a alertar para as conveniências das boas relações com Luanda”, acrescentou Eugénio Costa Almeida, apontando a forma como esta matéria estava a ser protelada e tornada incómoda quer para Madrid, quer para Luanda e a sua resolução rápida.

Em alguns aspetos, o analista considera até que há uma melhor relação institucional entre Luanda e Madrid do que entre Luanda e Lisboa, sublinhando que Madrid está mais perto do centro da Europa do que Lisboa.

Enquanto Portugal mantém uma relação “mais familiar” com Angola, onde há “altos e baixos, arrufos, zangas”, outras relações são mais institucionais, centradas em interesses económicos e político-partidários, disse, considerando ainda que João Lourenço tende a aproximar-se cada vez mais do bloco ocidental.

“Madrid está muito mais próxima do eixo Paris-Berlim, que é quem gere a União Europeia do que Lisboa, e aí compreende-se a posição do governo de Angola. Portugal poderá achar que está a ficar subalternizado, mas é o governo de António Costa que tem de saber o que tem de fazer. Os países têm interesses a defender”, observou.

Segundo o programa a que a Lusa teve acesso, a chegada dos monarcas espanhóis está prevista para segunda-feira, mas a visita oficial inicia-se apenas na terça-feira com uma deslocação à Praça da Republica – onde se encontra o Memorial António Agostinho Neto e o jazigo do ex-Presidente José Eduardo dos Santos – a anteceder um encontro com João Lourenço.

No Palácio Presidencial está prevista uma cerimónia de condecorações e a assinatura de acordos, seguindo-se, na parte da tarde, uma passagem pelo edifício do Banco Económico, onde será inaugurada uma exposição do pintor catalão Joan Miró, e um encontro com a comunidade espanhola.

O fórum empresarial, que reúne empresários dos dois países, terá lugar na quarta-feira.

No mesmo dia, os reis de Espanha visitam ainda a Assembleia Nacional e o Museu de História Militar, antes de regressarem ao país na parte da tarde.

RCR // MAG




Leonor e a mãe são as últimas castrejas a cumprir as mudas do gado em Melgaço

Leonor Rodrigues e a mãe, Isalina, são as últimas mulheres de Castro Laboreiro, Melgaço, a cumprir a “muda” do gado da branda para a inverneira, ou, o contrário, como manda a estação do ano.

Leonor não sabe por quanto tempo mais vai cumprir a transumância, a mudança da casa na branda, a uma maior altitude, para a habitação, em pedra, na inverneira, no vale, mais abrigada.

“Tudo depende da saúde da minha mãe. Enquanto a minha mãe estiver em condições, faço a muda”, garantiu Leonor.

O ciclo, que se cumpre duas vezes por ano, repete-se há milhares de anos na vila de Castro Laboreiro, elevada a uns mil metros acima do nível do mar.

Antes do Natal, mãe e filha, pegaram na roupa necessária para aguentar o rigor do inverno e nos animais e abalaram da casa da branda, no lugar de Padresouro para a da inverneira, em Cainheiras, para fugir ao frio agreste daquelas paragens.

“Neva na mesma, como lá em cima, mas não são neves tão grandes”, referiu a pastora.

Da casa na branda, que Leonor vislumbra da inverneira, vieram as galinhas, patos, coelhos e a toura. Uma mudança bem mais fácil que noutros tempos.

“Hoje não dá muito trabalho porque é de carro e trator. Antigamente era em carros de bois, monte abaixo, e mudava-se tudo. Agora as casas estão equipadas e praticamente trazemos a roupa e os animais”, explicou.

A Joia, cadela da raça que herdou o nome da vila mais a norte do país, e o rafeiro Bolinhas guardam as donas e ajudam a manter na ordem os animais quando, pela manhã, partem para os pastos e, no regresso, ao pôr do sol, para as cortes, onde os esperam canas de feno fresco.

Aos 57 anos lembra-se da “alegria” que envolvia a aldeia quando se iniciava a prática única de pastorícia em Portugal.

As brandas ou as inverneiras estavam “cheias de gente”, jovens e sobretudo mulheres vestidas de preto [as viúvas de vivos] porque os homens emigravam à procura de vida melhor.

“Da primeira pessoa do lugar à última, todas mudavam. Pela descida abaixo [da branda para a inverneira] era vacas e carros de bois, ovelhas, cabras. As galinhas e coelhos vinham no alto dos carros de bois”, contou.

A tradição foi deixando de ser o que era e, atualmente, “ninguém” a cumpre. Uns fixaram-se nas brandas, outros nas inverneiras.

“Antes havia mais animais e não havia o que dar [alimento]. Tínhamos de fugir para o abrigo. Trabalhava-se tudo [campos agrícolas]. Agora há menos animais e muito feno. Nos dias maus, os animais ficam na corte e alimentam-se com feno”, apontou Leonor, para explicar a tendência de extinção do costume.

A pastora cresceu a “mudar” de casa, duas vezes por ano, e até seria “estranho” se a rotina se alterasse.

“Gosto de passar o Natal aqui [na inverneira] e a Páscoa lá em cima [na branda]”, conta.

Quando chegar março, lá por alturas da Páscoa, as duas mulheres, uma viúva e a outra solteira, vão regressar à branda onde permanecerão até à próxima muda.

No lugar de Entalada, onde se contam pelos dedos de uma mão o número de pessoas que residem em permanência na inverneira, os dias correm em silêncio, apenas interrompido pelo som da água, agora farta, a correr pelos riachos, dos chocalhos dos animais ou do latido dos cães assustados com a presença de estranhos.

Raquelinda Gonçalves, de 72 anos, abandonou a muda em 2021. A saúde do marido e os cuidados de que precisa o irmão mais velho impedem-na de cumprir um costume a que se habituou desde que tem “lembrança”, em criança.

“A muda, como antes, nunca mais a vou fazer”, confessa com tristeza. Sozinha para “lidar” com tanto trabalho, precisava de “mais pessoas para ajudar”, mas os filhos seguiram outros caminhos.

À branda do Curral Gonçalo, onde nasceu, regressa apenas para cortar o feno que alimenta os animais.

Chegou a ter cinco vacas, mas agora restam três: a Diana, mãe da Dourada e avó da Cereja, que são tratadas como animais domésticos. As vacas devolvem os cuidados de Raquelinda com carícias e maradas meigas, obedecendo ao chamado da dona no percurso até às pastagens ou a caminho das cortes.

A tristeza de não fazer a muda interrompe, com frequência, o discurso de Raquelinda. De voz embargada prefere ler os versos que escreveu para a reportagem da Lusa e que contam a história de vidas únicas:

“Foi no curral do Gonçalo, o lugar onde eu nasci. Tenho muitas saudades do tempo que ali vivi.

Éramos muita mocidade, isso não vou olvidar do tempo que lá passei, eu sempre vou recordar.

A minha inverneira é a Entalada aonde agora estou a viver, era no carro das vacas que a muda ia fazer.

Eu tinha dois filhos pequenos que também para o carro das vacas os subia. Era aquele transporte porque estrada não havia.

A muda era difícil, mas também para mim era alegria. Eu ia ver os meus outros vizinhos que já há tempos não via.

O tempo anda para a frente, mas para trás não vai voltar. Passa tão devagarinho que nós não o vemos passar.

Passa um dia e passa outro e o tempo sempre a passar, só fima as recordações que eu sempre vou recordar

Eu passei chuva, passei neve. Andava no monte com o gado, mas também esses dias nunca serão olvidados.

Eu vivi tempos bons, mas também tempo amargo. Comecei de muito nova com muitos velhos a meu cargo.

Faz parte da minha vida que vos estou a contar. Eu só sei o que passei e não sei ainda o que tenho para passar

Eu, do tempo que passei tenho muitas saudades, mas agora termino e desejo para todos saúde e muitas felicidades”.

ABC//LIL