6 de dezembro. Dia de Mikulás (ou Szent Miklós)

por LMn

Mikulás (ou Szent Miklós) é a versão húngara de São Nicolau e é uma personagem muito semelhante ao Pai Natal (Papai Noel).

Apesar de que em muitos sítios, o Mikulás cada vez mais se confunde com o Pai Natal, uma coisa podemos ter a certeza, entre outros países, na Hungria por exemplo, acredita-se que o Mikulás chega para comemorar o seu dia, o 6 de dezembro. (Há alguns países que o celebram a 5 de dezembro), e sai antes do Natal. Esta tradição também é bem conhecida na Roménia (Moș Nicolae), Eslovénia (Miklavž), República Checa, Eslováquia (ambos Mikuláš), Croácia (Sv. Nikola) e Polónia (Mikołaj).

Presentes (Guloseimas)

Embora o papel do que oferece as prendas no dia (noite) de Natal – concretamente no dia 24, quando se faz noite -, seja atribuído ao Menino Jesus, na Hungria, na véspera da festa de São Nicolau, 6 de dezembro, as crianças húngaras tradicionalmente colocam uma bota no parapeito da janela esperando que o Mikulás Bácsi (Tio) apareça e a encha com guloseimas.

Curiosamente não há Tia Mikulás. Na República Checa, Eslováquia e Eslovénia, o Mikulás/Miklavž geralmente vem com dois assistentes: um bom anjo que distribui presentes para crianças boas e um “Krampusz”, um duende anão e mau, que vem de propósito para castigar as crianças más.

No dia 6 de dezembro, o Mikulás (com os ajudantes, se for o caso) vai às casas onde moram crianças pequenas e deixa ali alguns presentes. Enquanto as crianças “boas” recebem brinquedos, doces e frutas várias, as crianças “más” não podem esperar nada mais do que uma colher de pau, vários pedaços de carvão ou cenoura ou batatas, deixado pelo Krampusz. É claro que como ninguém é totalmente bom ou totalmente mau, a quase totalidade das crianças recebe doces, chocolates e prendas.

As guloseimas são tradicionalmente doces, chocolate,  nozes e frutos secos diversos. Nos tempos modernos, as várias figuras do Pai Natal (Papai Noel) de chocolate são as mais comuns. É muito importante sublinhar que as botas devem estar muito limpas, polidas, pois  é sabido que o Mikulás não enche botas que não tenham brilho suficiente.

As ”crianças más” podem também encontrar junto às suas botas,com presentes, cebolas, batatas cruas ou mesmo um pedaço de carvão, como um aviso de que no próximo ano se não melhorarem, podem receber apenas “prendas” destas.

Embora os presentes sejam geralmente dados às crianças, aos filhos pelos pais ou aos netos pelos avós, é muito normal entre os adultos, colocarem pequenas surpresas (como presentes ou um virgács) nas botas dos outros.

O ”Virgács”

O virgács é um raminho que lembra uma pequena vassoura, feita com pequenos galhos de um arbusto ou salgueiro, muitas vezes pintado cor de ouro. Na Hungria, antes do dia do Mikulás, os virgács podem ser obtidos em vendedores de rua.

Mas afinal quem é o Mikulás (São Nicolau, Pai Natal)?

Trata-se de uma figura que evoluiu da lenda hagiográfica da personagem histórico-cristã que foi São Nicolau, bispo de Bari (Itália) que nasceu na Lícia (localidade situada na atual Turquia) por volta de 270. Pelo próprio nome nome se explica que seja em certos países denominado Santa Claus (de Nicklaus), sendo também conhecido como Papá (ou Papai, no Brasil) Noel (Pai Natal, do francês Pére Noël ) entre outras denominações que variam consoante países e as regiões. Na Hungria é o Mikulás (Mikulás Bácsi, Tio Mikulás).

Reza a lenda que o santo bispo São Nicolau terá gasto toda a sua herança a ajudar os necessitados (daí que diga a tradição que ele distribui presentes), para além de ter sido muito bom para crianças. A sua santidade em vida foi tal que chegou a arcebispo de Mira e depois de Bari. A veneração a este santo cresceu quando uns comerciantes de Bari retiraram as relíquias do santo de Mira, com o objetivo de as preservar dos ataques dos turcos otomanos.

Como a festa litúrgica se celebra a 6 de dezembro, tornou-se costume as crianças (sobretudo as dos países nórdicos ou da Europa Central) colocarem um sapato na chaminé para que o São Nicolau ou o Pai Natal lhes deixe uma prenda. Isto deve-se a uma tradição que diz que São Nicolau atirou  discretamente pela janela do vizinho, durante três noites seguidas, um saco com moedas por cada filha que aquele tinha, uma vez que elas não tinham dote para se poderem casar e o mesmo as tinha já destinado à prostituição.

Uma outra versão conta que em tempos de paganismo havia o costume de alguém se vestir de inverno, com longas barbas brancas, quando esta Estação começava, e ia pelas casas das pessoas comer os bolinhos e demais pitéus preparados especialmente para que ele se saciasse, não sendo assim o inverno rigoroso. Esta figura era chamada de Velho Pai Natal.

Na Idade Média era costume os criados de cada casa mais abastada passarem pelas ruas no dia 6 de dezembro e distribuírem pequenas dádivas às crianças, e também de censurarem as que se tinham portado mal.

De referir que após a Contrarreforma, na segunda metade do século XVI, passou a ser o Menino Jesus, principalmente nas culturas latinas de rito católico romano, a distribuir as dádivas, transferindo-se o dia da celebração do Pai Natal para o dia 25 de dezembro.

A figura do Pai Natal, criada pelo imaginário popular, não é no entanto reconhecida pela Igreja Católica, embora seja tolerada. O fato usado por esta personagem variou desde os primeiros tempos, em que tinha uma coroa de azevinho, um carapuço em bico, achatado ou de dormir na cabeça e aparecia vestido de azul, verde, amarelo ou vermelho (remetendo talvez para a condição de bispo).

Para mais informações ver também

Mikulás (em húngaro)

https://hu.wikipedia.org/wiki/Mikul%C3%A1s

Santa Claus (em inglês)

https://en.wikipedia.org/wiki/Santa_Claus

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