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por LMn
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A Hungria e a Polónia estão a ficar cada vez mais frustradas com as principais intenções da União Europeia e em breve poderá haver outro Estado-Membro apoiado em Bruxelas, de acordo com um artigo escrito por Andrew Tettenborn em The Spectator. Com as eleições gerais italianas a aproximarem-se em setembro, o novo primeiro-ministro italiano poderá vir da direita do espectro político.

“Estará a UE prestes a desfazer-se?”, pergunta o autor do artigo logo no início. A resposta a isto poderia estar algures nas fronteiras da Hungria e da Polónia, os dois estados algo rebeldes da União Europeia.

Como salienta o artigo do Spectator, tem havido muitos debates entre a Polónia, Hungria e Bruxelas, especialmente quando se trata da ideologia LGBT, do Estado de direito, da liberdade de imprensa, ou, no caso da Polónia, da independência judicial.

No entanto, a Polónia e a Hungria não se curvam perante a vontade de Bruxelas, em vez disso tentam ripostar, escreve Tettenborn.

Ambos os governos deixaram claro que, embora estivessem preparados para negociar com a UE relativamente às suas exigências, a sua paciência estava a esgotar-se.

Como o artigo salienta, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán disse que a Hungria está prestes a tornar-se um contribuinte líquido para a UE, o que significa que depois disso, o apoio continuado do país não pode ser tomado como garantido. Ao mesmo tempo, Jaroslaw Kaczynski, líder do partido Lei e Justiça, e segundo Tettenborn, o líder de facto do governo polaco, declarou que se a UE se recusar a comprometer-se na questão das nomeações judiciais, Varsóvia não tinha razões para cumprir as suas obrigações para com o bloco.

Ainda assim, embora haja sem dúvida muitas discordâncias entre os atores, as ameaças de uma rutura da UE resultantes das atitudes políticas da Hungria e da Polónia são “exageradas” de acordo com Tettenborn. A razão por detrás disto é sobretudo o facto de, em ambos os países, 70-80 por cento dos cidadãos apoiarem a permanência na União Europeia, pelo que agir contra isto seria suicídio político para os seus governos.

No entanto, as reformas podem estar a caminho em breve, em parte porque há cada vez mais vozes no bloco que apelam a uma confederação em vez de um super-Estado.

A Hungria e a Polónia podem usar os seus vetos em assuntos sérios que requerem unanimidade na UE, parando assim as decisões. É evidente que nem a Polónia nem a Hungria querem obedecer a ordens vindas do exterior devido à sua história com a União Soviética, escreve Tettenborn. Como resultado, por exemplo, a Polónia é especialmente contra curvar-se perante uma UE dominada pela Alemanha.

Com as eleições gerais a chegar a Itália em setembro, o país poderá ter o próximo primeiro-ministro proveniente do partido Fratelli d’Italia, um aliado do Fidesz da Hungria.

Segundo Tettenborn, a atitude do partido italiano em relação ao bloco é tão antagónica como a do Fidesz e da Lei e Justiça, pelo que uma reforma da UE poderia vir muito em breve.

“A Itália, Polónia e Hungria em combinação podem conseguir forçar uma Europa de nações em Bruxelas onde David Cameron e outros falharam todos. Isso seria uma boa ironia”, concluiu Tettenborn nas suas observações.

 

Fonte: HungaryToday

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