2 de fevereiro: Dia da Marmota – Crenças Populares da Hungria

por Arnaldo Rivotti

Nossa Senhora da Candelária, Nossa Senhora da Apresentação ou Nossa Senhora da Purificação são outros nomes atribuídos à Virgem Maria celebrada a 2 de fevereiro, quarenta dias (seis semanas), após o nascimento de Jesus.

Na Hungria, várias tradições populares estão ligadas a esta data, tradicionalmente invocada pelos camponeses e hoje mundialmente associada ao Dia da Marmota.

Uma crença popular húngara está relacionada com o estado do tempo: “se a Nossa Senhora da Candelária estiver a rir, está o Inverno para vir, se estiver a chorar, está o Inverno a passar”. Ou seja, se o tempo estiver de sol no Dia da Senhora da Candelária, o inverno está a chegar, mas se chover nesse dia, o inverno está a acabar.

Velas e Candelabros

À luz das velas, quando a neve cai, o vento sopra,

O Inverno não dura muito tempo.

(Penavin 1988: 45).

Junto ao rio Drava, na região fronteiriça da Eslavónia, antiga província romana da Panónia, a duração do inverno era prevista espetando uma vela na terra.

Quanto mais profunda a vela for inserida, mais profundo será o gelo sobre a terra.

(Lábadi 1988a: 295).

Os húngaros da Eslavónia aguardavam ansiosamente este dia, à espera de chuva, na esperança de uma boa colheita.

Em Topolya, na região de Bács, acreditava-se que neste dia, quanto mais tempo o gelo se pendurasse do beiral, mais longas e fartas seriam as maçarocas do milho.

Em Lasi, dizia-se: “Se o candelabro brilhar, a colheita será estreita”!

Ursos e marmotas

Desde os tempos antigos que as pessoas, procuram formas de prever o tempo, e o comportamento de algumas espécies, especialmente as que se relacionam com a hibernação, é também a base para inúmeras lendas.

É o caso da marmota, roedor que normalmente hiberna de outubro até o começo de fevereiro e também dos ursos.

Esta tradição desenvolveu-se também na Hungria, na região de Mura, onde os agricultores acordavam cedo para assistir não à saída do texugo, mas sim do urso a sair da toca.

A partir daí surgiu a crença de que, se o animal saísse da toca e se assustasse com a sua própria sombra, retornaria à hibernação, indicando, assim, mais quarenta dias (seis semanas) de frio. Pois, só há sombra quando há sol.

Outras pessoas acreditam justamente no inverso – se nenhuma sombra for vista, o início da primavera pode ser aguardado com temperaturas mais quentes.

Assim, os húngaros costumam usar o despertar do urso como símbolo da chegada da primavera.

Os meteorologistas, contudo, afirmam que nenhuma evidência estatística foi encontrada para fundamentar essa crença e afirmam que a marmota só acertou 39% das previsões desde 1887.

O único ponto que pode ser considerado como tendo algum significado são as condições meteorológicas do tempo, sem nuvens, que se relaciona com o facto do urso ter sombra ou não.

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